Acampamentos tentam impedir despejo
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Ney de SouzaSERVIÇO PAGOCobrança de R$ 5,00 como pedágio para carros de passeio dá direito à utilização da balsa para a travessia do Rio Iguaçu, entre Capanema e Serranópolis do Iguaçu Moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná começam hoje a instalar barracas de lona e barracões de madeira na Estrada do Colono, no trecho de 17,6 quilômetros que corta o Parque Nacional do Iguaçu. A mobilização é uma estratégia para tentar impedir o fechamento da via, que é mantida aberta ilegalmente há dois anos.
A decisão de montar os acampamentos foi tomada anteontem, em duas reuniões com a população regional, comandadas pela Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que coordena a campanha pela reabertura. As reuniões ocorreram em Capanema (Sudoeste) e Serranópolis do Iguaçu (Oeste), municípios que ficam nas duas extremidades da estrada. Segundo Sadi de Oliveira, assessor de imprensa da Aipopec, cerca de mil pessoas participaram das duas reuniões.
Os participantes rejeitaram proposta apresentada pelo advogado da Aipopec, Pedro Henrique Xavier, de desocupação espontânea da estrada. Xavier defendia que a luta judicial pela reabertura seria facilitada se os invasores saíssem temporariamente do parque.
De acordo com Oliveira, a rejeição ocorreu porque a população regional se sentiu traída na última vez em que deixou a estrada espontaneamente. Em julho de 1997, o grupo abandonou o parque após dois meses de invasão. Para a desocupação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) órgão que administra o parque prometeu concluir em três meses a revisão do Plano de Manejo, documento que estipula as formas de ocupação de uma reserva florestal. Essa promessa não foi cumprida até hoje.
Oliveira disse que os invasores montarão um acampamento em Serranópolis do Iguaçu em uma área fora dos limites do parque e dois em Capanema um em cada margem do Rio Iguaçu, sendo que o da margem direita ficará dentro da reserva. Os barracões de madeira serão coletivos para abrigar até 20 pessoas.
O principal objetivo desses acampamentos é manter pessoas no local dia e noite, impedindo que uma eventual operação policial para o fechamento ocorra de surpresa. Faremos uma vigilância permanente, avisou Oliveira.
Desde a semana passada, o procurador da República em Foz do Iguaçu Néviton de Oliveira Guedes pressiona as polícias Federal e Rodoviária Federal a cumprir uma ordem expedida em 17 de janeiro pela juíza Marga Inge Tessler, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, sedido em Porto Alegre. O despacho da juíza reitera a sentença que resultou no fechamento da estrada, em 1986. As forças policiais na região não se manifestaram sobre o assunto.
Ontem à tarde, o funcionamento da estrada era normal. Os invasores continuavam cobrando pedágio dos veículos que utilizam a via. O preço é de R$ 5,00 por carro de passeio e dá direito à utilização de uma balsa para a travessia do Rio Iguaçu.





