Mais 50 famílias reforçaram ontem a ocupação de uma das margens da BR-277, próximo à Fazenda Mitacoré, entre os municípios de São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no Extremo-Oeste do Estado. O terreno ocupado pertence ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Segundo o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o número de famílias já chega a 170 e o acampamento deve receber mais 200 famílias entre hoje e amanhã.
A coordenação estadual do MST confirmou ontem que a intenção do movimento é ocupar a Fazenda Mitacoré, cujo controle acionário é da Bamerindus S.A., Participações e Empreendimentos, holding do Bamerindus, que está sob intervenção do Banco Central.
‘‘Temos necessidade de plantar e as famílias não vão aguentar ficar por muito tempo nas margens da rodovia’’, afirmou Rogério Mauro, membro da coordenação estadual do MST. Segundo ele, o acampamento está apenas começando e a intenção é ocupar a fazenda. ‘‘Claro que os trabalhadores sem-terra querem a fazenda. Agora, com uma área próxima já ocupada, ninguém vai ficar tentando tapar o sol com a peneira’’, disse.
Segundo Mauro, o MST entende que a Fazenda Mitacoré entrou na transação da venda do Banco Bamerindus e o local está sob o domínio do Banco Central. ‘‘O ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que as terras que estão sob intervenção seriam utilizadas para a reforma agrária e entre elas está a Fazenda Mitacor钒, acredita.
A tese de uma ocupação programada da fazenda foi reforçada em um encontro entre as lideranças e o chefe do escritório regional do DNER em Foz do Iguaçu, Vicente Veríssimo Junior. Segundo Veríssimo, os líderes da invasão prometeram deixar a área nos próximos dias. Mesmo assim, a Procuradoria do DNER deverá receber hoje um relatório feito pelo órgão em Foz do Iguaçu para entrar com pedido de reintegração de posse.
O MST reconhece que a fazenda é produtiva, mas alega que ela não cumpre sua função social de geração de empregos e produção de alimentos na região. ‘‘A Mitacoré é hoje de propriedade do governo federal. Por que o governo quer uma fazenda produtiva?’’, questionou Mauro.
A gerência da Fazenda Mitacoré informou que os sem-terra têm manifestado pressão sobre os funcionários. Segundo a administração, foi reforçado o esquema de segurança no local, embora haja uma determinação do interventor de patrimônio do Banco Bamerindus, Flávio de Souza Siqueira, para evitar confronto armado.
O subcomandante da Polícia Militar em Foz do Iguaçu, major Herbert Afonso Pinto da Silva, disse que não recebeu nenhuma orientação da cúpula da PM no Estado para desocupar a área e nem pedidos da diretoria interventora. A polícia, segundo o sub-comandante, ficou sabendo da invasão pela imprensa. Ontem, várias viaturas da PM rondaram o acampamento.

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