Campo Mourão - Um grupo com cerca de 50 ciganos, entre adultos e crianças, está acampado há mais de um mês em um terreno na Avenida Jorge Walter, na Vila Urupês, um bairro próximo ao centro de Campo Mourão. São 12 grandes barracas e vários carros, incluindo camionetas novas, que chamam a atenção de quem passa pelo local.
''Nossa cultura não pode ser extinta e mantemos o acampamento para manter um pouco dessa cultura cigana'', disse Ricardo Marcos Viti, 38 anos, o líder do grupo que está em Campo Mourão. Ele vive no acampamento junto com a mãe, que é viúva, e outros seis irmãos. Todos os membros do acampamento são de uma mesma família.
Segundo Viti, os ciganos gostam de viver em barracas porque há um maior clima de confraternização. ''Somos um povo muito unido. Se estivéssemos em casa, estaríamos isolados'', explicou. ''Aqui um ajuda o outro. É assim que vive o povo cigano.'' Ele disse que os ciganos não gostam de incomodar ninguém, mas que sofrem com o preconceito.
Viti afirmou que o grupo sobrevive com a venda de panelas que eles mesmo produzem, com a realização de serviços hidráulicos e, principalmente, com compra e venda de automóveis. ''Somos grandes rolistas'', frisou. Ele também disse que os ciganos têm propriedades, inclusive residência fixa, e que recebem aluguéis.
Teresa, a mãe de Viti, contou que o grupo também vende edredons. Além disso, as ciganas fazem a ''leituras das mãos'' para ver o futuro, mas a procura vem sendo é baixa. ''Nosso origem não aceita trabalhar de empregado'', frisou a matriarca. Em geral, as crianças estudam pouco. ''O importante é saber ler e escrever'', disse Viti. O acampamento deve ficar mais 10 dias em Campo Mourão. Depois seguirá para Foz do Iguaçu. O grupo chega a ficar até quatro meses de fora de casa.

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