Acampados resistem à reintegração de posse
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Crianças, jovens, homens e mulheres, que estão acampados há mais de 20 dias em um terreno particular nos fundos do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina), mantiveram-se mobilizados durante todo o dia de ontem e conseguiram retardar o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse. Um oficial de Justiça esteve por duas vezes no local para cumprir a decisão mas não obteve êxito e pediu apoio policial. Uma reunião agendada para a manhã de hoje com o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) deverá definir quando e como será feita a desocupação.
Com barricada de paus e entulhos, as 89 famílias acampadas bloquearam os acessos pela Rua Elis Regina e com enxadas, foices e facões estavam dispostos a resistir a uma eventual investida policial. As barreiras foram erguidas pela manhã quando o oficial de Justiça, Sebastião Moreira, tentou cumprir pela primeira vez a ordem de reintegração de posse expedida pela 4 Vara Cível. Pouco depois das 13 horas, Moreira retornou e novamente não conseguiu cumprir a decisão. Ele saiu sem falar com a imprensa e mais tarde informou que havia encaminhado pedido de apoio à Polícia Militar. Segundo o oficial, os detalhes da ação de cumprimento da decisão judicial serão definidos numa reunião hoje de manhã na sede do 5º BPM.
O líder dos acampados, o pintor Ailton Natalino da Silva Souza, explicou na presença do oficial que a resistência se devia ao fato de que na semana passada, o procurador do terreno, identificado apenas como Adélsio, teria acenado com a possibilidade de negociar a área com os acampados. A proposta foi até levada à Companhia Habitacional de Londrina (Cohab-LD). ''Só ontem (anteontem) fiquei sabendo que a gente estava para ser despejado'', comentou Souza. ''Como o procurador pulou para trás e não cumpriu com sua palavra, nenhuma família vai sair daqui'', garantiu. Ele disse que todos que estão na área querem pagar pelos seus lotes e estimou que as famílias têm condições de arcar com parcelas de, no máximo, R$ 30,00.
O terreno já foi dividido em 101 lotes de 150 metros quadrados cada. Boa parte das 89 famílias ergueu barracas e está vivendo na área de forma improvisada e contando com a ajuda de vizinhos e parentes.
A Folha tentou falar com o procurador do terreno mas sua secretária informou que ele não falaria porque havia encaminhado o assunto para sua assessoria jurídica.
O presidente da Cohab-LD, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, comentou que as ''ocupações'' exercem influência sobre o Poder Público mas que não iria ceder a esse tipo de pressão porque tem que respeitar a fila de 14 mil inscritos para casas populares. Ele lembrou que a cidade voltou a investir em habitação e orientou as famílias acampadas a também se inscreverem na Companhia. Quanto à possibilidade da área ser negociada com os acampados e ''virar'' loteamento, Silva afirmou que a Cohab dará apoio para aprovar o projeto o mais rápido possível.


