A incerteza tomava conta das famílias de sem terra que permaneciam acampadas na margem da PR-218, entre Jundiaí do Sul e Guapirama, no início da semana. O estoque de comida, armazenado em uma das barracas de lona, chegava ao fim na segunda-feira. A promessa de envio de mais uma remessa de alimentos pelo Incra ainda era esperada.
A bandeira do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tremulava na ponta de um mastro improvisado, apesar do grupo negar vinculação com o movimento e o próprio MST negar vínculo com as famílias de Jundiaí do Sul.
Odete Leme, 34 anos, dois filhos, era um desconsolo. O marido trabalhava naquele momento para os irmãos, no assentamento da antiga Fazenda São Francisco, em Ribeirão do Pinhal. Enquanto isso, Odete, que sempre morou na região, dizia que sempre trabalhou na roça, como empregada, e que há um ano enfrenta a vida de acampada.
Segundo ela, permanecem no acampamento as 62 famílias que fazem parte do grupo. Boatos na cidade são de que algumas famílias abandonaram o movimento depois da prisão dos líderes.
‘‘Continuamos unidos e dentro do nosso objetivo, de ter esse problema resolvido com urgência’’.
A polícia deixou a área na última sexta-feira. As famílias estão na margens da estrada, mas em terreno que pertence à Fazenda Cordilheira.
Geraldo da Silva, 49 anos, casado, 10 filhos, que o diga. A família dele ocupa mais de uma barraca, uma só é pouca. ‘‘Estão fazendo a cabeça do pessoal da cidade, dizendo que a gente é bandido, que tem gente infiltrada no grupo, que tem família proprietária de comércio. Se eu tiver um comércio na cidade, que entreguem para mim, porque eu não estou sabendo. Nem ficha na polícia a gente tem. Nem teto para morar. São 62 famílias há um ano debaixo de barracas’’.
Em vez de bandidos, afirma Odete, os acampados do grupo viraram mendigos. ‘‘A gente não tem mais roupas e nem móveis. Nossa maior indignação é com esses jagunços, que foram contratados pelos fazendeiros. Quem são eles, onde eles trabalham, são todos uns coitadinhos?’’
Cerca de 100 crianças fazem parte do grupo.

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