Os dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de Sapopema (132 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio) estão pedindo ajuda da comunidade para obter medicamentos. Por causa do frio e das chuvas das últimas semanas, crianças e adultos estão ficando doentes. A secretaria municipal de Saúde não tem condições de atender os acampados que estão à beira da rodovia PR-090, que abriga mais de 160 famílias.
Segundo a integrante da direção regional do MST em Sapopema, Ana Cristina Moreira, choveu muito na região desde que o acampamento foi montado, em maio. O frio também veio com grande intensidade, comprometendo a resistência de adultos e crianças. Os principais problemas são a gripe forte e dor de ouvido nas crianças. ‘‘Estamos preocupados. A secretaria de Saúde nos ajudava com medicamentos, mas o governo do Estado está repassando remédios a cada três meses, na mesma quantidade que era feita mensalmente’’, disse.
O acampamento começou a ser montado em 28 de maio com famílias de sem-terra dos municípios vizinhos a Sapopema. Os acampados vão aguardar até o dia 21 uma posição da superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, sobre as áreas que estão sendo vistoriadas na região para assentamento. ‘‘O governo federal proibiu as ocupações de terra. Nós queremos ter a terra legalmente. Esperamos que o Incra dê logo uma resposta positiva’’.
Alojados em barracas de lona plástica, as famílias vivem da maneira mais precária possível. Quem mais sofre são as crianças. Quando chove, é impossível mantê-las quietas dentro das barracas. Ana Cristina explica que elas ficam em volta das fogueiras e depois tomam chuva à revelia dos pais.
No final de semana, a prefeitura realizou uma campanha do agasalho. Parte do que foi arrecadado será destinado aos sem-terra. Ana Cristina, porém, alerta que as famílias necessitam mesmo é de cobertores e calçados. ‘‘Os adultos conseguem se virar com o frio. A nossa preocupação é com as crianças’’. Como estão acampados às margens da rodovia, eles não possuem área para plantio. O Incra tem fornecido cestas básicas para alimentar as famílias.
Trabalho de baseAna Cristina explica que no acampamento todas as decisões são tomadas em grupo. ‘‘Conseguimos viver como uma grande família, mesmo aqueles que estão ingressando agora no acampamento. Todos somos responsáveis pelo que acontece, principalmente pelo bem-estar das crianças’’.
Esta semana, as famílias participam do curso de formação política, ministrado por integrantes do MST de Curitiba. A justificativa é que a maioria dos acampados é trabalhador rural, mas não possui consciência sobre o objetivo do movimento. Também será debatido a economia nacional, a política agrícola do governo e saúde. As reuniões acontecem à noite, na barraca maior, no centro do acampamento.

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