Da Redação
A reação dos sem-terra que receberam as poncãs dos produtores de Cerro Azul foi de contentamento e solidariedade com a atitude. ‘‘É uma maneira de mostrar à sociedade que o governo não incentiva a agricultura’’, opinou Pedro Chagas, um dos acampados na praça Nossa Senhora de Salete, enquanto um companheiro seu saboreava uma das frutas. Adelita Cristina Vitorino, visivelmente satisfeita com a distribuição, dizia que de vez em quando ia à barraca de algum companheiro buscar uma poncã. ‘‘Foi uma grandeza. Se fosse o Lerner, ele não daria nem o bagaço para a gente’’, afirmou.
Os sem-terra disseram que a maior parte do carregamento foi distribuída às pessoas da cidade, que acorreram ao local para se abastecer. Mesmo assim, havia frutas para todo mundo. ‘‘Só eu peguei uns vinte quilos’’, revelou José Subtil Neto. Em sua opinião foram entregues oito toneladas do produto no local.
Segundo Margarida Tokarski, que trabalha na secretaria do acampamento, dez caminhões e caminhonetes foram deslocados para a praça e o restante da carga foi distribuído à população em geral. Como muitos sem-terra não estavam presentes no momento da entrega, uma parte das frutas foi recolhida à cantina para posterior distribuição aos que necessitarem. ‘‘A gente está passando por dificuldades e as poncãs vieram em boa hora’’, afirmou Margarida.

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