Acampados em Curitiba recebem sem-terra libertados em Paranavaí
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Kraw PenasBecker e Anghinoni, já no acampamento do MST em Curitiba: alegriaOs trabalhadores rurais Delfino Becker e Celso Anghinoni foram festejados em Curitiba por cerca de 1,2 mil companheiros do MST na manhã de ontem. Eles vieram de ônibus e chegaram por volta das 7 horas de Paranavaí, onde ficaram presos durante 35 dias. Esta é uma grande família que pratica solidariedade, comentou Anghinoni, já no acampamento do bairro Alto São Francisco.
Só com pressão organizada, como o MST fez, é possível chamar atenção para a necessidade da reforma agrária, disse Becker. Ele e Anghinoni souberam que seriam soltos na manhã de quarta-feira, em audiência com testemunhas de acusação. Ambos tiveram a prisão relaxada no processo que apura o envolvimento deles na ocupação da Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, ocorrida no dia 13 de maio deste ano.
Os dois líderes do MST na região Oeste lembraram do apoio que receberam desde o momento da prisão, feita em 17 de setembro. Veio fax até de Joinville (SC), com mil assinaturas, pela nossa liberdade, destacou Becker. Além dos companheiros sem-terra, pessoas sem ligação com o movimento, como pastores evangélicos, iam à cadeia nos levar solidariedade, revelou Anghinoni.
Nossa prisão foi política, atacou Becker. Tanto ele quanto Anghinoni negam terem participado da ocupação da Fazenda Água da Prata. Ambos garantem que estavam trabalhando em seus lotes no assentamento Pontal do Tigre, também em Querência do Norte. As famílias dos dois cultivam arroz, milho e criam gado leiteiro, tudo organizado em cooperativa de produção e comercialização.
Emocionado por reencontrar a mulher Alice e os filhos Fernando e Taciane, Anghinoni desabafou: Sou um trabalhador que tira dinheiro da lavoura e tem uma casa digna para viver. Ao lado da esposa Isaura e dos filhos Alceu e Michele, Becker aproveitou a deixa do amigo: Isso demonstra que é preciso assentar e dar estrutura. Falar em Vila Rural (programa do governo estadual que assenta famílias em áreas rurais) é oferecer pastel para esquecer o almoço.
Segundo Paulo de Marqui, da coordenação estadual do MST, os sem-terra estão preparados para ficar o tempo que for preciso em Curitiba - a prefeitura forneceu barracões, alimentos e ambulância. Tudo vai depender do resultado da negociação, disse.


