Entre os sem-terra acampados em áreas invadidas no Noroeste do Estado há grupos que não concordam com as diretrizes do MST. É o caso do acampamento existente nos fundos da fazenda Pontal, em Querência, onde vivem 80 famílias.
O grupo participou da invasão da fazenda Sonho Real, em agosto do ano passado, mas resolveu sair da área cumprindo acordo feito na época com o Incra. Os dissidentes acusam os sem-terra que voltaram para a Sonho Real em outubro do ano passado de não cumprir o acordo com o Incra e esperam ser beneficiados na entrega da imissão de posse.
A fazenda Sonho Real está em processo de desapropriação, mas a área é suficiente para abrigar cerca de 90 famílias. Brigam pela terra da propriedade 140 famílias do MST que continuam na fazenda e as 80 famílias instaladas ao lado, na fazenda Pontal.
O líder do grupo, Vidal Renê Polini, 36 anos, diz que os integrantes do MST não representam os trabalhadores rurais na sua totalidade. Ele diz que sempre trabalhou como arrendatário, mas que nos últimos anos, por causa da falta de subsídios do governo e dos juros altos, resolveu ocupar áreas e tentar conseguir um pedaço de terra.
‘‘Se o MST que conta com muitas pessoas que não tem a mínima experiência com a terra pode invadir propriedades e reinvindicar um pedaço de terra porque nós que sempre trabalhamos na lavoura não podemos conseguir um pedaço também?’’

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