Acalon terá de devolver R$ 90 mil à prefeitura
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terça-feira, 22 de julho de 2003
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A auditoria do município anunciou ontem que a Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), responsável pela Escola Oficina, terá de devolver cerca de R$ 90 mil aos cofres da Prefeitura de Londrina, devido a irregularidades apuradas nos anos de 2001 e 2002. Com a prestação de contas desaprovada, a entidade, que atende jovens em situação de risco da zona norte, perde o convênio com o poder público para o repasse de verbas mensais. A entidade tem um prazo de dez dias para a devolução.
Segundo o auditor-chefe do município, Osvaldo de Lima, entre as irregularidades apontadas, as mais graves são as de caráter administrativo. ''Além de não terem sido recolhidos encargos sociais de funcionários, há os que foram demitidos e contratados como autônomos. Ambas são infrações graves, pois burlam as leis trabalhistas'', afirmou, adiantando que, por se tratar de crime de mau uso do dinheiro público, o resultado da auditoria será encaminhado ao Ministério Público e à Procuradoria Geral do Município, para que sejam tomadas as medidas legais necessárias.
Outros erros levantados foram o excesso de pessoal (''há um professor para cada dois alunos'', diz o auditor) e o mau aproveitamento do prédio, que é cedido pela prefeitura. ''Verificamos in loco e a partir de depoimentos de funcionários que a escola atendia cerca de 70 alunos, quando, na verdade, deveria ser o dobro. E oficinas que comportariam 15 abrangiam apenas cinco alunos'', declarou Lima.
Por outro lado, a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, descartou qualquer outra possibilidade que não seja a encampação da Escola Oficina pela prefeitura, anteriormente recusada pela diretora da Acalon, Sônia Scalassara. Ela garantiu também que a intenção é ''manter e ampliar os serviços prestados aos jovens da escola'', desde que se altere o projeto pedagógico utilizado hoje, o qual, explica, vem apresentando poucos indicadores de avaliação com resultados efetivos.
''Há que se discutir se as oficinas oferecidas, por exemplo, são atrativas para o público-alvo a que se destinam'', exemplifica a secretária, com base na constatação da auditoria de que há desvio de finalidade. ''Em quase dez anos da escola, e mesmo tendo solicitado, até hoje não recebemos a informação de quantas crianças e adolescentes foram inseridos no mercado de trabalho'', comentou o auditor. Uma vez municipalizada, conforme a secretária, a primeira medida a ser tomada será a demissão do corpo técnico.
A reportagem tentou ouvir a diretora Sônia Scalassara em sua residência, na Acalon e na Escola Oficina, mas ela não foi localizada.


