A Associação da Criança e Adolescente de Londrina (Acalon) decidiu, em assembléia geral, não aceitar as propostas de encampação dos serviços prestados pela Escola Oficina. Pelas sugestões, as secretarias de Ação Social e Educação assumiriam a entidade, atualmente em crise financeira agravada pela interrupação do repasse de verbas municipais. A Acalon vai formar uma comissão com membros da diretoria, funcionários e pais de alunos para reformular uma contraproposta.
Desde a interrupção, em maio, a Acalon deixou de receber R$ 9,5 mil mensais. Uma auditoria da prefeitura apontou que foram atendidas menos crianças que o estipulado em contrato. Os salários dos 23 funcionários não são pagos há dois meses e a entidade acumula uma dívida de R$ 100 mil em encargos, salários e fornecedores.
A prefeitura apresentou duas propostas à Acalon, uma para encampar o projeto imediatamente, outra para assumir de forma gradativa até dezembro. Em ambas as situações, a Escola Oficina deve passar por reestruturação pedagógica. A entidade não aceitou por acreditar que o projeto será bastante comprometido, além disso, caso a encampação aconteça, todos os funcionários terão que ser demitidos.
''Queremos melhorar essa proposta, aumentar prazos, rediscutir a demissão'', diz a presidente da Acalon, Sônia Scalassara. A reestruturação pedagógica, que ainda não foi discutida em detalhes, também preocupa a entidade. ''Queremos garantir que esse atendimento não se dilua'', reforça a coordenadora da Escola Oficina, Maria das Mercedes Peixoto. A Acalon acredita que a comissão possa dar um parecer em 15 dias.
A Acalon também espera o julgamento da justificativa apresentada a Auditoria Municipal sobre a interrupção do convênio. O principal argumento é que as crianças atendidas faltam muito e, independente disso, a estrutura precisa ser mantida.
A reativação do convênio, entretanto, não deve acabar com os problemas da Acalon. Segundo Sônia, são gastos cerca de R$ 52 mil para manter a escola. A padaria e lavanderia mantidas na instituição dão renda de R$ 22 mil. Ou seja, mesmo com o convênio há um déficit de R$ 20 mil. A situação financeira da Acalon começou a definhar em 1999, quando um convênio mantido com o governo do Estado não foi renovado. A entidade tenta agora reativar este convênio.
A secretária de Ação Social, Maria Luíza Rizotti disse que vai aguardar a nova proposta da Acalon e que o serviço será mantido. ''Nossa política é de inclusão'', afirma.

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