A diretora da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), Sônia Scalassara, não descarta a possibilidade de encampação da Escola Oficina pelo poder público, defendida pela secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, como alternativa mais viável para a crise que a instituição atravessa. Mas ela discorda de alguns pontos levantados como irregulares pela auditoria do município. Um deles é a capacidade de atendimento de 180 alunos: hoje, o número real fica abaixo da metade. ''Temos uma clientela que, justamente pela situação de risco, não pode ser colocada em grandes quantidades nas oficinas, até por uma questão de segurança dos próprios alunos e dos educadores, que têm de estar sempre atentos'', justifica. Ela não quis comentar as supostas irregularidades envolvendo pagamento de encargos trabalhistas apontadas pela auditoria. ''Já contratamos um contador e um advogado para cuidarem da nossa defesa'', resumiu.
Na última terça-feira, a auditoria da prefeitura e a secretaria municipal de Assistência Social anunciaram a desaprovação das contas da Acalon, responsável pela Escola Oficina, bem como a devolução de cerca de R$ 90 mil aos cofres públicos e o cancelamento do convêncio com a entidade, localizada no Conjunto João Paes (zona norte). Entre as irregularidades apontadas, o auditor-chefe Osvaldo de Lima destacou erros administrativos que podem gerar processo por mau uso de dinheiro público, bem como a inadequação na condução do projeto pedagógico e no uso do prédio, que é cedido pelo município.
A ex-diretora da Acalon, Leozita Vieira, reconheceu terem ocorrido casos em que foi preciso escolher entre o pagamento dos funcionários e as despesas trabalhistas com outros, demitidos. Segundo ela, as prestações sempre foram aprovadas pelo município. ''O auditor faz alegações sem procedência e, na condição dele, posso dizer que surtou'', ataca, referindo-se ao fato de Lima ter sido contador da entidade desde a sua fundação, há cerca de dez anos. Ele não só desmente a informação (''esta é a primeira vez que a Acalon está sendo auditada''), como alega que, durante todo o ano passado (a auditoria apontou irregularidades em 2001 e 2002), a administração não apresentou nenhum documento à contabilidade, prática em geral adotada mensalmente. ''Só recebi esse balanço em abril passado. Levantei as irregularidades e não posso divulgá-las, por uma questão ética, mas notifiquei a Acalon e as tenho protocoladas. Se eles permitirem, divulgo isso nos jornais '', avisou.
Além da possibilidade de municipalização, também o Estado estuda a possibilidade de reencampar a Escola Oficina. Tanto que, ontem, duas técnicas do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) visitaram as instalações e solicitaram uma série de documentos à administração, tais como o estatuto, o projeto pedagógico e um levantamento do perfil da clientela. ''Só depois de avaliados esses documentos o Estado apresentará sua proposta'', afirmou a técnica Rossana Narloch, segundo a qual essa resposta só sai na próxima semana.

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