No Dia Nacional do Ensino Superior, os estudantes, professores e funcionários da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) decidiram interromper as aulas e realizar um protesto pedindo mais transparência na administração da instituição. Os manifestantes aproveitaram o protesto para entregar à reitora Liana Fuga um abaixo-assinado solicitando a realização de uma assembléia geral.
A coordenadora de organização do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Jane Aparecida Parahyba, afirmou que ao todo foram colhidas cerca de 3 mil assinaturas nos cinco campus que fazem parte da Unioeste. A acadêmica observou que a assembléia geral é a única forma de alunos e funcionários fazerem suas reivindicações e alertarem a direção da instituição sobre as necessidades vitais para o funcionamento de cada campus.
Antes mesmo de receber o abaixo-assinado das mãos do professor Luís Fernando Reis, a reitora da Unioeste já havia marcado uma assembléia geral. Porém, para descontentamento dos acadêmicos que faziam o protesto, a assembléia foi marcada para o campus de Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel), na próxima quarta-feira, às 10 horas. ‘‘Está claro que a reitora marcou para Rondon com o objetivo de desmobilizar nosso protesto’’, disse o coordenador do DCE, Darci Rocha.
Liana Fuga disse que decidiu realizar a assembléia em Rondon, para promover uma descentralização dentro da universidade. Segundo ela, todas as reuniões e decisões são tomadas em Cascavel, e os ‘‘demais campus também precisam participar dos momentos importantes e decisivos da Unioeste’’.
Durante o manifesto, o DCE divulgou um panfleto onde estavam algumas das promessas feitas pela reitora e que não foram cumpridas até o momento. Entre os itens enumerados estavam a promessa de equipamentos para laboratórios e aquisição de livros para a biblioteca. Além disso, os manifestantes reclamam do orçamento da universidade, considerado pequeno devido a existência de cinco campus e ao grande número de funcionários e professores, que somados chegam a quase 1,3 mil.
A reitora concordou com os manifestantes ao afirmar que os R$ 39,2 milhões previstos no orçamento de 2001 não são suficientes para cobrir a folha de pagamento e o custeio de manutenção da universidade durante todo o ano. Ela acrescentou que o governo do Estado possui uma planilha para liberação dos recursos, mas que não existe risco da universidade ‘‘entrar em colapso pela falta de recursos’’.
Liana Fuga completou que a universidade conseguiu recursos no total de R$ 600 mil, junto a órgãos do governo ligados à pesquisa, como a Fundação Araucária, Tecpar e Fundo Paraná, que estão sendo utilizados na melhorias dos cursos. Ela adiantou que mesmo antes do início das negociações do orçamento de 2002, já existe uma prévia de R$ 80 milhões para o próximo ano.
Enquanto permaneceram dentro do prédio da reitoria, os acadêmicos alertavam para os riscos de privatização da universidade pública no Paraná. Liana Fuga esclareceu que esteve em contato com membros do governo e que não existe nenhuma perspectiva de que isso aconteça durante o governo de Jaime Lerner. ‘‘Educação, saúde e segurança é um compromisso do Estado. Se privatizarem, não existe mais necessidade do Estado governar’’, ressaltou a reitora.
Após deixarem a reitoria, os manifestantes fizeram uma caminhada até o centro da cidade, onde participaram do protesto dos servidores públicos estaduais que reivindicam reposição salarial.

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