''Essa situação nada mais é que um reflexo da violência em Londrina. Achávamos que ela se restringia somente à periferia, mas vimos que não. Acabaram com nossa família, com nossa vida''.
O desabafo é da funcionária pública Dalcimar Zanoni, 41, irmã do empresário Alaerte Francisco Zanoni, de 56 anos, assassinado ontem de madrugada quando chegava em casa, com a esposa, após mais um dia de trabalho. Segundo de uma lista de 15 filhos, Zanoni nasceu e foi criado em Londrina, onde, vindo de família humilde seus pais são pioneiros na cidade , começou a ajudar no sustento da casa como engraxate, ainda criança. Com três filhos e dois netos (um deve nascer daqui sete meses), tirou dos tradicionais churrascos durante a pescaria com os amigos seu hobby preferido a idéia para a nova forma de ganhar a vida, após mais de 20 anos como funcionário do hoje extinto Banco Nacional. ''Foi daí que ele montou a Gelobel, inicialmente uma distribuidora de bebidas, carvão e gelo'', conta a irmã. A transformação do estabelecimento para o que é hoje um dos bares mais conhecidos de Londrina se deu anos depois, em 1991, com a abertura de uma sede na Vila Brasil (área central) e outra, no Parque Guanabara (Zona Sul). Ao todo, são 35 pessoas empregadas.
''Ele tinha um bom relacionamento com todo mundo, tanto que o bar era frequentado por gente das mais variadas classes, de médicos a pedreiros'', afirmou a dona-de-casa Fátima Cristina Zanoni, casada com o irmão que era sócio da vítima. Ela lembra que um dos maiores prazeres de Zanoni, no trabalho, era preparar o tempero da carne vendida aos clientes. ''Foi uma covardia o que fizeram. Mataram um trabalhador que era a base de toda uma família'', lamentou. O corpo do empresário foi sepultado ontem, no Cemitério São Paulo.

mockup