Érika Pelegrino
De Londrina
O juiz corregedor de presídios Roberto do Valle já está se preparando para uma possível interdição total da Prisão Provisória de Londrina (PPL). Na próxima semana, três presos deverão ser transferidos para a Colônia Penal Agrícola, em Curitiba, e dois deverão ir para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Com estes remanejamentos a PPL ficará com 120 presos, a capacidade máxima é para 139.
‘‘Estamos tentando deixar o mínimo de presos na PPL para uma possível interdição total’’, afirmou. No sábado termina o prazo dado pelo juiz para que o Estado realize as reformas que irão garantir a segurança da prisão: construção de duas celas externas para triagem; colocação de extintores; construção de guarita junto ao portão de entrada ou portão gradeado com controle remoto; colocação de portão no corredor dos bombeiros; colocação de tela com arame farpado no muro do solarium e retirada da caixa de disjuntores do salão destinado a refeitório.
As exigências foram feitas em novembro, quando o juiz determinou a interdição parcial da PPL, que desde então não pode receber nenhum preso. Nos primeiros dois meses, de acordo com Roberto do Valle, nada foi feito. Depois que foi estipulado um prazo, a única exigência cumprida foi a obtenção de extintores.
Na terça-feira, o engenheiro do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), em Londrina, Flávio Formagio, esteve com o juiz. ‘‘Foi a primeira vez em três meses que me procuraram para discutir as reformas’’, comentou Roberto do Valle. Das obras exigidas, apenas o alambrado do solarium já foi orçado (R$ 20 mil), mas o projeto estaria ‘‘perdido’’ entre a Secretaria de Estado de Justiça (Seju) e a Secretaria de Segurança Pública.
O diretor-técnico da Seju, Sílvio Carlos Cavagnari, explicou que o projeto foi encaminhado para a secretaria, por equívoco. ‘‘O prédio pertence à Secretaria de Justiça, mas está emprestado para a Secretaria de Segurança Pública, de onde deverá sair o recurso para estas obras’’, explicou. ‘‘Já encaminhamos o projeto para a Secretaria de Segurança Pública’’.
A Folha não conseguiu falar com o novo secretário de Segurança Pública José Tavares – que acumula também a secretaria de Justiça. Flávio Formagio disse que na segunda-feira irá visitar a PPL para anexar um orçamento complementar ao do solarium, das outras obras previstas. ‘‘Recebendo o OK da secretaria competente, em uma semana o Decom pode começar as obras’’, garantiu Formagio.
Roberto do Valle disse que a interdição total, que implica na remoção dos presos da PPL, só não acontecerá se for apresentada uma proposta concreta de realização das obras. E para onde irão os presos? ‘‘Isto é problema da Secretaria de Segurança Pública e do delegado-chefe (Wanderci Corral Fernandes)’’, disse.
Depois de resolvida a questão da PPL, Valle começará a inspeção nos distritos policiais que também estão superlotados. ‘‘Não fiz isto ainda porque não adianta interditar tudo de uma vez. Por enquanto estou tentando reduzir a quantidade de presos na PEL’’. Na próxima semana, seis detentos da penitenciária serão removidos para a Curitiba e cinco receberão indulto ou livramento condicional. ‘‘Com isto normalizamos a situação da PEL que fica com 359 presos (a capacidade é para 372) e receberá de 9 a 10 presos da região, além dos dois da PPL’’, explicou o juiz.Se o Estado não acenar com proposta concreta para aumento da segurança, juiz vai determinar a interdição total da prisão
Arquivo FolhaPROJETO INADEQUADOEm julho de 98, dias antes da inauguração, operários trabalhavam a todo vapor na obra da Prisão ProvisóriaArquivo FolhaO juiz corregedor Roberto do Valle: prazo finalArquivo FolhaDelegado Jurandir André: remoção em meia hora