Acaba prazo para garimpeiros no Lixão
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sexta-feira, 28 de março de 2003
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá A partir de hoje, os catadores de lixo que trabalhavam no Lixão de Maringá não terão mais acesso à área. A data para o fechamento do Lixão foi definida pela administração municipal desde o mês passado. Ontem, muitos catadores faziam uma espécie de ''despedida'', trabalhando sem parar para angariar a maior quantidade de lixo possível no último dia de acesso ao Lixão. A maioria dos catadores, entretanto, promete invadir o local nas próximas semanas se não conseguirem o mesmo rendimento fora do Lixão.
De acordo com o projeto da prefeitura, 70 pessoas que atuavam no Lixão serão transferidas para a Usina de Reciclagem, instalada na saída para Astorga. Conforme o secretário de Meio Ambiente, José Eudes, a prefeitura irá levar para a usina todo lixo coletado na área central da cidade.
Além de um local mais limpo e adequado para trabalhar, os trabalhadores também serão orientados por uma equipe de multiprofissionais a estarem montando uma cooperativa. A idéia é fazer com que os próprios trabalhadores negociem a venda do material reciclável. Os demais trabalhadores cerca de 50 não concordaram em ir para a usina e deverão trabalhar como catadores de papéis autônomos.
Apesar da proposta de um local mais digno de trabalho, os catadores que há anos trabalham no Lixão estão receosos. ''Eu vou para a usina pra experimentar, mas se não der nada, volto para o Lixão'', disse Mário da Silva, 45 anos. Ele mora em Sarandi e há cinco anos trabalha no Lixão. Silva garantiu que chega a ganhar R$ 45,00 por dia trabalhando das 7 às 23 horas no Lixão.
Lusinete de Araújo, 38 anos, também não quer ir para a Usina de Reciclagem. ''Aqui é a mina de ouro'', afirmou. Ela contou que a maioria dos trabalhadores que estão no Lixão não quer ir para a Usina e só está aceitando a proposta porque não tem outra alternativa. ''Qual a diferença de trabalhar aqui e trabalhar na usina, já que é no lixo que vamos mexer?'', indagou.
Lusinete disse que consegue ganhar de R$ 25,00 a R$ 30,00 por dia catando e separando lixo. Ela contou que desistiu de trabalhar de empregada doméstica porque além da exigência de referência ganha pouco. ''Tenho quatro filhos que estão sendo criados graças ao dinheiro que ganho no Lixão'', justificou. Lusinete garantiu que jamais contraiu uma doença que não entende porque a administração municipal insiste em fechar o Lixão.
O fechamento do Lixão é uma determinação da Justiça. Ano passado, a prefeitura cercou a área que tem cerca de três alqueires, mas as pessoas continuaram entrando no local. A partir de hoje, a prefeitura não pretende mais tolerar a presença de ninhguém no Lixão. ''Só vai entrar os caminhões e os funcionários que fazem a compactação do lixo no local'', afirmou ontem, José Eudes.


