Terminou ontem a maior rebelião da história do Paraná. O motim na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, durou 142 horas –seis dias. Com o fim da rebelião, os 22 reféns que ainda estavam em poder dos internos foram liberados.
Vinte e três presos (quatro deles integrantes da organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital–PCC) foram transferidos para os estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Pará. A revolta acabou com um saldo de quatros mortos (o agente Luciano Amâncio e três presos) e dois feridos (detentos).
Os presos se entregaram a partir das 14h10, quando liberaram 12 reféns. Um outro refém já havia sido liberado pela manhã. Os primeiros rebelados, com destino a São Paulo e Santa Catarina, saíram em comboio em oito camburões. Minutos depois outro grupo foi levado até o Aeroporto do Bacacheri, de onde dois aviões partiram rumo ao Mato Grosso do Sul, Amazonas e Pará.
A PM de São Paulo disponibilizou um helicóptero para acompanhar o comboio da divisa com o Paraná até a capital paulista. O receio era que alguém tentasse libertar os líderes do movimento (Mizael Aparecido da Silva, César Augusto Roriz Silva, Gilmar Ângelo dos Santos e José Felício, conhecido como Geléia). Mesmo recurso foi usado pela corporação do Mato Grosso do Sul.
Somente às 16h15 o motim acabou definitivamente. Foi quando os integrantes do PCC, arregimentados na PCE durante a rebelião, liberaram outros noves reféns. Somente nesse momento os agentes penitenciários puderam retirar, junto com o Instituto Médico Legal, o corpo do agente morto. Também foram removidos os corpos dos três detentos mortos. Dois deles estavam decapitados –com a cabeça sob a barriga– e até a noite de ontem não haviam sido identificados. O preso que matou o agente, Jospe Reginaldo Rebek, também teve os braços cortados. A decapitação e o esquartajamento são as marcas das mortes do PCC.
Cerca de cem policiais entraram na PCE e revistaram as celas. Foram encontrados uma pistola, quatro revólveres (calibre 38), uma granada militar e duas caseiras. Uma nova revista vai acontecer hoje.

mockup