Curitiba A conversa dos agentes penitenciários com o coordenador-geral do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná, coronel Justino Sampaio Filho, na manhã de ontem, pôs fim à greve que durou quatro dias. A promessa de que a Secretaria de Estado da Administração e Previdência irá estudar a implantação de uma escala de trabalho alternativa foi o que pesou para o retorno ao trabalho ainda na tarde de ontem.
A mudança na escala para 12 horas trabalhadas e 36 horas de folga que, de acordo com decreto do governo do Estado, deve entrar em vigor a partir da contratação dos novos agentes concursados, não agradou os servidores. Pelo sistema atual, eles trabalham 24 horas e folgam 48 horas, o que gera horas extraordinárias e engrossa os salários dos agentes. Reduzindo para 12 horas, o governo do Estado se livra do pagamento das horas extras.
Sampaio Filho disse que cabe à secretaria e não ao Depen estipular o regime de trabalho. Uma reunião com técnicos da Administração será agendada para discutir o assunto. O coordenador esclareceu que, em nenhum momento, houve intenção por parte do Depen de antecipar a implantação da nova escala. Segundo ele, isso e o não cumprimento de acordos com os agentes foram pura especulação. ''Com os agentes nunca houve desentendimento. A maioria deles já tinha estado comigo'', declarou.
Em relação à paralisação de quatro dias, Sampaio Filho afirmou que não houve qualquer prejuízo aos serviços. Segundo ele, a maioria dos agentes que se concentrava em frente à Prisão Provisória de Curitiba (PPC) estava no seu período de folga.
O presidente da comissão de agentes penitenciários, João Carlos Ribeiro, saiu satisfeito da reunião com Sampaio Filho. Ele acredita que, a partir de agora, os servidores terão maior acesso à coordenação para repassar eventuais problemas administrativos e operacionais. Uma comissão será constituída para encontros periódicos com representantes do Depen.
Ribeiro disse, ainda, que o coordenador garantiu que os dias parados não serão descontados e que não haverá represálias aos grevistas. Já Sampaio Filho afirmou que a questão do desconto nos salários é administrativa e será analisada pela secretaria.

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