Acaba greve de fome na PCE
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quarta-feira, 10 de abril de 2002
Katia Michelle Equipe da Folha 
Curitiba - Acordo informal firmado ontem com a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, pôs fim à greve de fome iniciada na última segunda-feira por centenas de detentos. O vice-diretor da PCE, André Luiz Kendrick, afirmou que os presos não tinham como aguentar a fome. Segundo ele, durante a greve, apenas dois presos passaram mal, mas foram medicados na própria penitenciária.
O vice-diretor informou ainda que as reivindicações dos presos, como a normalização das visitas e o retorno do banho de sol, seriam atendidas mesmo sem o protesto. Os presos estavam sem os benefícios desde o dia 25 de março, quando houve um tiroteio e um preso foi morto no pátio da PCE. Antes eles saíam para o banho de sol uma vez por semana, durante uma hora.
Após o incidente, a direção restringiu a visita para apenas uma pessoa por interno. Os aparelhos de rádio e tevê foram retirados das celas. As visitas íntimas foram cortadas. Kendrick disse que a situação voltará ao normal a partir de hoje. A mulher de um detento, que não quis se identificar, disse que em troca da volta dos benefícios os presos prometeram evitar novos incidentes.
Enquanto os detentos alegam que a greve de fome atingiu 90% dos internos, exceto aqueles que estão incomunicáveis na Ala de Segurança Máxima, a direção da PCE estima que a greve atingiu 30% dos detentos. O índice é pequeno, mas representa uma grande parte dos internos. São centenas, disse o vice-diretor de segurança da PCE, Aclínio José do Amaral. Ele alega que existe uma disputa por poder dentro da unidade.
A disputa é confirmada pelo advogado Dálio Zippin Filho, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e do Conselho Penitenciário. Estive lá após o tiroteio e não vi qualquer desrespeito aos direitos humanos. Vi, sim, disputa por poder. Os organizadores desta manifestação são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou ele.
O advogado irá hoje fazer uma inspeção na PCE com a promotora Mônica Louise Azevedo, que integra o Centro de Apoio e Proteção da Integridade Humana do Ministério Público. (Com Luciana Pombo)


