Acabou a fila de espera no Consórcio Intermunicipal de Sa© úde do Médio Paranapanema (Cismepar) para pacientes que precisam fazer vasectomia. Após um mutirão realizado no segundo semestre do ano passado, todos os homens que esperaram até três anos para fazer a cirurgia foram atendidos.
De acordo com a diretora executiva do Cismepar, Ogle Beatriz Bacchi de Souza, foram realizadas 1.218 vasectomias durante todo o ano de 2006. ''Foi feito um remanejamento no ambulatório, que recebeu recursos do gestor municipal para viabilizar o aumento na oferta de procedimentos'', explicou.
O Cismepar incrementou de 50 para 120 o número de vagas mensais para dar conta da demanda, que estava estrangulada, conforme afirmou Ogle. ''Triplicamos o teto de cirurgias'', calculou a diretora.
Segundo ela, o problema agora são as laqueaduras. A demanda regional chega a 195 pacientes, que já estão na fila de espera há dois anos. ''O Cismepar acaba de contratar mais uma ginecologista, cedida pelo Estado, para dar vazão às cirurgias. Com a nova profissional será possível aumentar de 10 para 30 o número de laqueaduras mensais e acabar com a fila dentro de seis meses'', declarou Ogle.
Segundo a diretora do Cismepar, as vasectomias e laqueaduras fazem parte do Programa de Planejamento Familiar oferecido pelo governo federal, que inclui informar os casais dos métodos contraceptivos definitivos e não definitivos, além de oferecer palestras educativas sobre as cirurgias propriamente ditas.
''O casal se informa sobre as possibilidades anticoncepcionais nas unidades básicas de saúde e escolhe o método de controle de gravidez. Dai é encaminhado ao Cismepar, onde participa da ação educativa para se preparar para a cirurgia'', disse Ogle.
Conforme a enfermeira Lauana Bolzani Viana Rosa, coordenadora do Programa de Planejamento Familiar, o objetivo da ação educativa é desencorajar a família do procedimento cirúrgico. ''Todo caso é discutido na comissão de planejamento familiar formada por enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, ginecologistas e urologistas'', informou a coordenadora.
Segundo ela, as reuniões da comissão ocorrem todas as sextas-feiras à tarde, simultaneamente à palestra educativa para os casais. ''Depois da palestra, o homem passa ainda por uma entrevista com um enfermeiro, assistente social ou psicólogo e depois assina o pedido da cirurgia.''
Como o procedimento é ambulatorial, a vasectomia ocorre até 60 dias após o pedido. ''É o prazo que a portaria ministerial oferece para o paciente repensar a cirurgia, para que ele não peça reversão do procedimento no futuro.''
No caso das mulheres, a espera pode chegar a nove meses, pois a laqueadura requer exames pré-operatórios e deve ser feita num centro cirúrgico. As vasectomias são realizadas no próprio Cismepar e também no Hospital da Zona Norte. Já as laqueaduras ocorrem nos hospitais da Zona Norte e da Zona Sul. Hoje, o Cismepar conta com uma equipe de três urologistas e dez ginecologistas.
''As mulheres ainda reclamam do tempo de recuperação da cirurgia, que é de, no mínimo, 40 dias. Já a preocupação dos homens é mais cultural. Eles têm medo da impotência e de engordar, que são mitos em torno da vasectomia'', ressaltou Lauana.
Segundo ela, a média dos casais que optam pelo método contraceptivo definitivo é jovem e já tem três ou mais filhos, ''frutos até de uma segunda ou terceira união'', assinalou. ''A maioria das mulheres opta pela laqueadura porque utiliza a pílula anticoncepcional e reclama da intolerância ao remédio'', completou a enfermeira.
De acordo com ela, por lei, estão aptos a realizar vasectomia ou laqueadura pacientes com idade a partir de 25 anos ou que tenham dois filhos vivos. ''Nós priorizamos a participação do casal na palestra, mas se um ou outro não pode vir, pedimos, então, o acompanhamento de um familiar, que irá testemunhar que o paciente está ciente dos riscos e consequências da operação antes de assinar o pedido de cirugia.''

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