Abutres sobre duas rodas
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segunda-feira, 02 de abril de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Trafegar sobre duas rodas se tornou algo comum no Brasil, onde a frota de motocicletas tem aumentado a cada ano. ''Mas viver sobre rodas de verdade, perseguindo a liberdade, isso é só para 1% das pessoas que possuem motocicletas.'' A afirmação é de Hamilton Spring, diretor estadual do Abutres Motoclube, fundado em 1989 em São Paulo e considerado o terceiro maior do mundo. Atualmente o Abutres Motoclube possui 178 sedes no Paraná e seus membros podem ser recebidos em cerca de cinco mil residências em todo o Brasil. No fim de semana, eles estiveram em Londrina, durante um encontro estadual.
O diretor regional Ricardo Pigatto explica que a filosofia do clube é inspirada nos motoclubes norte-americanos que surgiram entre as décadas de 30 e 40 fundados por militares que retornavam da guerra. ''Por isso eles importaram o sistema de hierarquias dos militares e que é adotado até hoje nos motoclubes'', relata.
Pigatto destaca que inicialmente o interessado apenas acompanha os integrantes do motoclube para que eles possam conhecer melhor se a pessoa possui qualidades para integrar o grupo. ''Posteriormente os iniciantes ingressam como prósperos, que são os responsáveis por realizar as tarefas como limpar o banheiro, cuidar da cozinha e outras tarefas mais básicas'', explica.
Depois de cerca de um ano de atividade intensa os prósperos podem ser promovidos a meio-escudo, condição que permite realizar tarefas mais leves e recebem autorização para colocar o nome do Brasil nas costas e, na sequência, são promovidos a escudeiros, o que significa que eles passam a receber a autorização para ostentar o escudo do motoclube nas costas. ''Acima deles existem os diretores e os nômades, estes últimos recebem esse título porque deixam a obrigação de pertencer a uma regional e passam a responder apenas à direção nacional, porque prestaram um serviço relevante ao motoclube ao longo dos anos.''
Nômade
O comerciante de Paranaguá (Litoral), Khalil Abduni, é um dos que ostentam o título de nômade. ''Eu faço parte do clube há 20 anos e fui o fundador da sede aqui no Paraná'', relata. Ele afirma que cada Estado que visitou possui sua cultura própria, no entanto a mentalidade dos integrantes do Abutres Motoclube é uma só e prima principalmente pelo respeito à hierarquia.
Abduni relata que viajar pelo Brasil conduzindo uma motocicleta é maravilhoso. ''Eu já fui a outros lugares fora do Brasil, mas a natureza daqui é maravilhosa'', observa. Ele afirma que em reuniões do motoclube cerca de 10% das pessoas optam por hospedagens em hotéis do que em barracas. ''Ainda acampamos muito, mas evitamos acampar à beira da estrada'', explica.
Questionado se o motivo seria a violência, ele responde que dificilmente acontecem furtos, assaltos e roubos contra membros do Abutres. ''Somos conhecidos internacionalmente e isso possui um peso e todo mundo respeita'', garante.
O gosto pelas motocicletas e pelo clube parece passar de pai para filho e por vezes pode chegar até aos netos. O contabilista Aurélio Mello, de 55 anos, foi ao encontro do Abutres acompanhado por seus netos Marcos Melo, de 3 anos, e Luiz Miguel Messa Rodrigues, de sete. Os garotos nutrem a mesma paixão pelas duas rodas que o avô.
Serviço Mais informações sobre o grupo no www.abutres.com.br


