Abusos sexuais e agressões contra menores alarmam Sarandi
Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
O registro de mais um caso de abuso sexual contra criança em Sarandi (7 km a leste de Maringá) revela um grave problema social do município. São três casos em menos de um mês. O último envolve o desempregado R.A.B., 31 anos, preso anteontem pela Polícia Civil por atentado violento ao pudor contra o filho de 10 anos e um garoto de 12.
Segundo o delegado José Aparecido Jacovós, nos últimos 6 anos foram mais de 30 ocorrências do gênero. Não existe impunidade em Sarandi. A polícia prende e a Justiça condena. A questão está no lado econômico e social, aponta Jacovós.
A situação preocupa a polícia pelo fato dos casos estarem em sua maioria no âmbito familiar. Para o delegado, o número de abusos contra crianças pode ser maior, mas as denúncias se restringem porque envolvem pais e filhos. Quando descobrimos, a situação já perdura há anos, diz Jacovós. No caso de anteontem, a denúncia foi feita pela mãe no Conselho Tutelar.
Uma análise nos registros da polícia identifica contextos sociais e econômicos semelhantes. Na grande maioria dos casos, os núcleos familiares são sustentados pelas mães que passam o dia fora trabalhando enquanto os maridos ficam em casa junto aos filhos.
Segundo Jacovós, essa situação favorece o abuso sexual, classificado nos inquéritos como atentado violento ao pudor. A perda de valores e sentimentos familiares, o consumo de álcool e drogas, a falta de instrução escolar dos pais, problemas psicológicos e a própria exclusão social, são também outros fatores que podem estar colaborando de forma direta ao problema em Sarandi.
No caso envolvendo B., a declaração prestada pelo filho é estarrecedora na narrativa de violência sexual sofrida. O pai praticava sexo oral e anal com o menino há cerca de um ano. Laudos psicológicos e do Instituto Médico-Legal feitos na criança comprovam a situação. A experiência vivida pelo menino de 10 anos, somada a tantas outras declarações em inquéritos semelhantes, assustam principalmente pelo fato de que os autores dos crimes são os próprios pais ou parentes.
O laudo juntado no inquérito e assinado pela psicóloga Silvana Aparecida Panaro ressalta que são várias as consequências futuras para uma criança envolvida neste tipo de caso. Os problemas podem estar em conflitos de ordem sexual, comportamental, risco de descompensação psíquica, além de outros diagnósticos, cujas dimensões tornam-se difíceis de estimar.
Segundo a conselheira Vanilde Coimbra Gomes, do Conselho Tutelar de Sarandi, não há no município nenhuma entidade ou órgão voltado para o trabalho de prevenção e orientação junto às famílias.





