Abuso no consumo pode provocar falta de água
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A combinação de temperaturas elevadas com as festas de final de ano provocou apreensão entre os técnicos da Sanepar que monitoravam os 12 reservatórios de Londrina e Cambé no último dia 23 de dezembro. O consumo excessivo no período da tarde fez o nível do reservatório que abastece a região norte baixar para apenas 30% e, por muito pouco, os moradores daquela área não ficaram desabastecidos. O mesmo aconteceu na região sul, onde muitas casas não possuem caixas d'água. Para o Ano Novo, a Sanepar pede para a população usar a água de forma racional e evitar o desperdício, que em Londrina é maior do que 30%.
De acordo com o agente de produção que coordena o Centro de Controle Operacional (CCO) da Sanepar, André Clivati Astafieff, o consumo atípico na antevéspera do Natal não provocou falta de água em Londrina e Cambé, mas fez com que os reservatórios da região Norte e Sul - onde o consumo é maior - atingissem níveis considerados críticos.
A Sanepar precisou diminuir a área de quatro reservatórios para aumentar o nível de reservação e assim evitar o desligamento de bombas, ''o que sería um recurso extremo''. O reservatório da região Norte por exemplo, que armazena até 10 milhões de litros, chegou a trabalhar com apenas 30% de sua capacidade. Nesta época do ano e durante o Carnaval, segundo o agente, a demanda aumenta em até 10%.
Nos 12 reservatórios existentes em Londrina e Cambé, a Sanepar tem capacidade para armazenar 80 milhões de litros para um consumo diário de 70 milhões de litros. Até o final do próximo ano, mais três reservatórios - com capacidade de reservação para mais 18 milhões de litros - devem entrar em funcionamento. Por isso, o gerente regional da Sanepar, Oscar Fernandes, assegurou que não há risco de colapso na relação entre capacidade de reservação e consumo. ''O sistema resiste e está apto para garantir o abastecimento'', afirmou Fernandes, lembrando que na captação a situação é confortável tanto no Rio Tibagi, que responde por cerca de 60% do volume captado, quanto no Ribeirão Cafezal, que contribui com mais 30%. O restante é captado atráves de poços.
Segundo o gerente regional, o cenário poderia ser mais preocupante não fosse a queda verificada no consumo doméstico nos últimos anos. Nas casas, há alguns anos, a média era de 16 metros cúbicos por mês e hoje gira em torno de 14 metros cúbicos mensais. Essa redução, conforme Fernandes, tem explicação. Uma delas foi a ampliação do benefício da tarifa social que há três anos atendia 900 famílias e hoje engloba quase 20 mil famílias. Somada à construção de redes de distribuição de água em assentamentos da cidade, essa medida provocou uma queda de até quatro vezes no consumo médio por residência. Sem a rede, uma casa nestas áreas gastava, na média, cerca de 40 metros cúbicos por mês. Com a regularização e a adesão ao ''Tarifa Social'' o consumo caiu para 10 metros cúbicos/mês.
Além disso, a Sanepar também tem investido em campanhas educacionais que procuram ensinar as pessoas a usarem racionalmente a água que chega até suas casas. Mesmo assim, a Sanepar estima que de cada 10 litros de água produzidos três são desperdiçados, seja por mau uso ou por vazamentos.


