Curitiba - O abuso sexual é a violência mais comum sofrida por crianças e adolescentes nas principais cidades do Paraná. No primeiro semestre deste ano, casos de abuso sexual representaram 37,78% dos 4.858 acompanhamentos no Estado do projeto Sentinela, programa que atende menores vítimas de violência em 28 municípios paranaenses. Porcentagem que superou a incidência de outras agressões, como espancamentos e negligência.
Segundo os números do Sentinela, as meninas são mais vitimizadas por este tipo de violência. Casos de abuso sexual representaram 28% do total de atos violentos contra crianças e adolescentes do sexo masculino e 41% das agressões contra crianças e adolescentes do sexo feminino no primeiro semestre de 2005. Situações de exploração sexual também são frequentes: representaram 10,43% dos atendimentos.
Anteontem, policiais militares prenderam em flagrante Vagner Ramaldes Fagundes, de 35 anos, que foi indiciado por fotografar crianças nuas na região de Curitiba. Segundo Ana Cláudia Machado, delegada do Núcleo de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Nucria), Fagundes pode receber pena de um a quatro anos de prisão.
Ele também pode ser indiciado por atentado violento ao pudor, crime que prevê pena de seis a dez anos, pois é suspeito de ter masturbado uma das crianças. ''Para ocorrer indiciamento por este crime, o responsável legal pela criança deve representar contra Fagundes'', explicou a delegada. A policial relatou que no Nucria, que atende principalmente ocorrências da região de Curitiba, as denúncias mais comuns são de atentado violento ao pudor.
''O agressor (de crianças) normalmente é alguém que sofreu violência quando criança'', explicou a psicóloga e doutora em saúde Maria Virgínia Grassi. ''O trauma é gerado toda vez em que há um excesso, quando uma pessoa não consegue lidar com algo que aconteceu com ela. Para uma criança, o ato sexual é excessivo, tanto emocionalmente quanto fisicamente. Para poder suportar a situação, a criança erotiza o ocorrido. E quando crescer, ela vai sentir atração por crianças. Fica uma marca psíquica e pode acontecer dela praticar o mesmo tipo de violência que sofreu'', afirmou a psicóloga.
A única solução é tratamento. ''O adulto nesta situação deve buscar outras maneiras de enriquecer sua vida sexual e conscientemente deixar de praticar a violência, como um viciado abandona a droga'', concluiu a psicóloga.

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