Abuso do flúor pode danificar dentes
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoAlertaAronita: Usado de maneira excessiva, flúor causa fluorosesA aplicação de flúor em crianças de zero a seis anos de idade, ao invés de apenas prevenir o surgimento de cáries, como é o objetivo principal, pode acarretar danos aos dentes e obrigar a longos tratamentos se for realizada em quantidades abusivas. Essa afirmação foi feita na terça-feira, durante palestra na Associação Odontológica do Norte do Paraná, em Londrina, pela odontóloga e professora da Universidade Estadual do Pernambuco (Uepe), Aronita Rosenblatt.
Ela realiza há várias semanas uma pesquisa com crianças de Cambé, para avaliar os resultados do programa desenvolvido pela Bebê Clínica - implantada pela Prefeitura há 12 anos -, somados à fluoretização da água distribuída pela Companhia de Saenamento do Paraná (Sanepar). O flúor é a melhor maneira de evitar as cáries. Mas, usado de maneira excessiva, ele pode resultar em fluoroses, que são pequenas manchas nos dentes, explicou durante a palestra, assistida por centenas de profissionais dos 19 municípios ligados à 17ª Regional da Saúde e estudantes de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina e da Unopar.
A professora explica que as manchas são pequenos pigmentos brancos, quando a incidência de flúor está pouco acima da recomendada, e escuras, quase marrons, quando a quantidade do produto químico natural aplicada é excessiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a utilização de apenas um miligrama por litro de água. O problema começa a surgir porque há o acúmulo de várias aplicações simultâneas de flúor. A água da Sanepar possui 0,8 miligrama por litro. Os cremes dentais brasileiros já possuem 1,0 miligrama por litro. E muitas crianças ainda fazem, até com recomendação de odontopediatras, os bochechos semanais com água fluoretizada. Este acúmulo está levando ao aparecimento de fluoroses em crianças de Cambé, de maneira moderada, e nas de Londrina, em um nível mais severo, comenta Aronita Rosenblatt.
Ela destaca que a pesquisa em seis regiões de Cambé ainda não está concluída, mas já apontou fortes indícios de que o somatório destas várias formas de aplicação de flúor necessita de um melhor controle pelas autoridades sanitárias e pelas próprias famílias que têm crianças nesta faixa etária.
A professora dos cursos de pós-graduação de Odontologia da UEPE ressalta que o flúor - a melhor e mais democrática maneira de prevenir cáries - não traz outros efeitos colaterais, além das fluoroses em diferentes níveis.
Este início de aplicação excessiva do flúor, que estamos detectanto em Cambé e Londrina em nível de alerta, já ocorre há anos nos Estados Unidos e em vários países da Europa com maior gravidade, comenta a odontopedriatra, que elogia o trabalho educativo e preventivo realizado pela Bebê Clínica de Cambé.
E nem esta quantidade abusiva do flúor evita, totalmente, o aparecimento das cáries em crianças de zero a seis anos de idade. Nesse sentido, o flúor deve continuar sendo utilizado dentro da quantidade recomendada pela OMS. Nossa pesquisa demonstra que a redução no número de cáries em crianças de Cambé está no mesmo nível de outras cidades brasileiras, que contam apenas com a água fluoretizada e ainda não cometem abuso na quantidade de flúor.


