Curitiba - Ao atravessar a fronteira dos 70 anos, o idoso normalmente se depara com a necessidade de ter alguém para auxiliá-lo a cumprir tarefas que anteriormente eram fáceis de fazer sozinho. Exatamente nesta hora é que os aproveitadores se aproximam. Sejam eles familiares, amigos, vizinhos ou desconhecidos. E as denúncias são minguadas. Os casos de apropriação indébita são comuns, mas nem todos transformam os golpes em inquéritos policiais ou ações criminais.
De acordo com a superintendência da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, são registrados quatro casos por semana envolvendo idosos. O golpe mais comum aplicado seria o do bilhete premiado. O golpista diz para a vítima que acertou na loteria ou na megasena e que não sabe como fazer. Acaba convencendo a vítima a dar uma quantia em dinheiro (muito menor do que o valor do prêmio da loteria) em troca do bilhete. ''As pessoas deixam de denunciar por vergonha'', relatou um policial civil.
No entanto, os dados sobre denúncias realizadas no Disque-Idoso, órgão ligado à Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, chamam a atenção. No primeiro semestre de 2006, foram registrados 66 golpes contra idosos que resultaram em crimes de apropriação indébita. Grande parte deles (90%), aplicados por familiares ou conhecidos da vítima.
A orientadora do Disque-Idoso, que atende pelo número 0800-410001, Dulce Darolt, revela que é comum os familiares utilizarem indevidamente os benefícios dos idosos. Muitas vezes, pegam o cartão para fazer empréstimos para uso próprio. ''É comum deixarem o idoso passando necessidade. Na maioria das vezes, o idoso confia no familiar, que acaba abusando dessa confiança'', relata.
São filhos, netos e sobrinhos os principais responsáveis pelos golpes contra idosos. ''O familiar mais próximo muitas vezes é o sobrinho, porque o idoso não teve filhos. Normalmente, ele se dispõe a tomar conta do velhinho e pega todo o dinheiro do idoso'', conta Dulce. A população de desconhecidos que usa o idoso para conseguir vantagem, de acordo com Dulce, é bem menor. ''O familiar usa normalmente das qualidades de dependência e confiança que o idoso tem com relação a ele. Ele não tem a consciência de que tem obrigações com o idoso; pensa, via de regra, que é normal usar aquele dinheiro. É uma lógica absurda para quem entende de lei e de direitos humanos'', diz.

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