Edson MazzettoDeseducaçãoCrianças brincam na área do Caom: denúncias envolvem drogas e sexo entre os abrigados na instituição O Ministério Público vai inspecionar todas as instituições que abrigam menores em Cascavel. Há denúncias generalizadas envolvendo a atuação destas entidades, seus funcionários e os próprios menores. Há até conflitos diretos entre membros das entidades, que se acusam mutuamente. A promotora Luciana Gomes, da Vara da Infância e Juventude, disse ontem que todas as instituições serão submetidas a inspeções ‘‘sem que isso signifique que a intenção seja causar qualquer prejuízo ao seu funcionamento’’.
A existência de instituições para menores havia sido condenada na semana passada em Cascavel pelo professor Edson Sêda de Moraes, que participou da redação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele proferiu palestra num seminário do qual a promotora Luciana participou, ao lado de centenas de membros de conselhos tutelares da região e outras pessoas que atuam no setor. Moraes, que é consultor do Unicef, o fundo da Organização das Nações Unidas para a infância, diz que as instituições são ‘‘deseducativas e violadoras de direitos’’ e, mesmo condenadas pelo Estatuto, funcionam porque ‘‘alimentam a burocracia’’. As críticas feitas pelo especialista podem ter precipitado a devassa em entidades locais.
Edson MazzettoEsconderijoNo Lar dos Meninos foram encontrados produtos de roubos, maconha e material pornográfico
A promotora Luciana Gomes vai pedir a abertura de inquérito e afastamento liminar da diretoria do Lar dos Meninos está sendo acusado de várias irregularidades. Na instituição, que abriga 16 menores com idade entre 7 e 14 anos, foram encontrados aparelhos de áudio e vídeo e eletrodomésticos roubados, estoques (armas brancas improvisadas), pequena quantidade de maconha e material pornográfico. O inquérito vai apurar se houve conivência ou omissão da diretoria.
Segundo a promotora, a diretoria também terá que explicar a destinação de R$ 12 mil repassados pelo Estado no ano passado para obras que não foram executadas. A casa é dirigida por Terezinha Donegá, que integrava o Conselho Tutelar e foi afastada sob alegação que pedia dinheiro e donativos para o Lar, desviando auxílio que poderia contemplar outras entidades oficiais. O advogado e ex-promotor Antonio de Jesus, que fala em nome da diretoria, afirma que Terezinha Donegá foi perseguida, o que continuaria ocorrendo agora com o próprio Lar dos Meninos.
Segundo Jesus, a direção do Conselho teria creditado a um motorista, acusado de ter antecedentes com drogas, 300 horas extras (não trabalhadas) em troca de acusações contra a ex-conselheira. O advogado sustenta que as ações da Vara de Infância e Juventude contra o Lar são arbitrárias e estariam expondo os menores, principalmente os que trabalham e estudam, ‘‘pois eles estão pagando por um caso isolado e ainda não devidamente apurado’’. Segundo Antonio de Jesus, ‘‘não há a mesma firmeza’’ da Vara em relação ao Centro de Atendimento e Orientação ao Menor (Caom), que atende 140 menores.
O advogado observa que contra o Caom, mantido com recursos públicos, houve denúncia de existência de cela para menores, de uso de drogas e que teria ocorrido até prática de sexo dentro de um templo. Idalina Barreiros, presidente do Provopar e que coordena o Caom, assegura que houve apenas ‘‘tentativa de ato libidinoso’’, que um menor levou maconha para passar a outros, e que há apenas um quarto onde menores são mantidos quando chegam drogados. Ela garante que ‘‘tudo está devidamente resolvido’’. Idalina acrescenta que ‘‘as portas do Caom estão abertas para quem quiser ver’’.
Uma adolescente de 17 anos que havia estado no Caom teria sido agredida fisicamente pelo integrante do Conselho Tutelar e ex-escrivão de polícia Arnoldo Souza, o que resultou em sua destituição. Arnoldo, que teve acesso a informações de que a adolescente teria tentado o suicídio no interior do Caom, afirma que apenas tentou contê-la numa sala do Conselho, quando ela tentava bater com a cabeça na parede. Ele assegura que foi afastado em represália, por estar levantando vários problemas na área social, o que estaria incomodando a Secretaria Municipal de Ação Social.
A promotora Luciana Gomes diz ter conhecimento de irregularidades em outra instituição, o Lar dos Bebês, que abriga 14 crianças ‘‘em condições inadequadas inclusive quanto à higiene’’. Ela reconhece que há muitas situações a serem investigadas. ‘‘Queremos contribuir para que as entidades cumpram sua função’’, afirma. Para a promotora, a família é o único ambiente capaz de recuperar menores.

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