Para o sociólogo Ronaldo Baltar, professor de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ter abrigo é a maior prioridade do ser humano, por isso muitos se sujeitam a viver na ilegalidade das invasões.
''Tem que ter abrigo em segurança para dormir, guardar as coisas, deixar as crianças. Viver na rua causa grande insegurança: além do alimento, do frio, tem a violência. Não se sabe se vai amanhecer no dia seguinte, por isso o abrigo compromete a maior parte da renda das famílias'', explica.
Na busca por um teto, as famílias são capazes de tudo: pagar aluguel de barracos clandestinos ou até comprar o direito de estar no assentamento. É nesse contexto que surgem os especuladores, que ocupam áreas com o único intuito de comercializá-las. Líder da invasão que hoje é o Jardim Felicidade, na Zona Norte, Milton Pereira conta que é comum o comércio de barracos em ocupações.
''Na época da favela, o direito de morar lá chegava a custar de R$ 500 a R$ 1 mil, quem tinha invadido era quem determinava o valor do barraco e vendia. Muita gente decidia que não queria morar no local depois de invadir.''
Pereira lembra que na época da ocupação do Jardim Felicidade, há 12 anos, planejada numa conversa de bar, ele se reuniu com quatro colegas para medir a área e dividi-la em lotes de 150 m2, ''para todo mundo pegar um pedaço''. Ele diz que nunca cobrou pelos barracos: ''Cada pedaço que dei foi pensando em formar uma família''. Hoje, o bairro conta com 108 casas com água, luz, esgoto e coleta de lixo e a meta da Cohab é chegar a 155 residências legalizadas. (M.G.)

mockup