Abrigo atende mulheres vítimas de violência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - Uma parceria entre a Delegacia da Mulher, Provopar e Secretaria Municipal da Ação Social de Cascavel tem viabilizado, através do Abrigo Nossa Senhora, um completo atendimento às mulheres carentes que são vítimas de violência doméstica e sexual. O abrigo é acionado pela Delegacia logo depois que a vítima registra queixa por agressão cometida pelo companheiro e fica comprovada total falta de condições de retorno imediato ao lar.
O Abrigo Nossa Senhora tem capacidade para atender simultaneamente 30 pessoas, entre mulheres e crianças, já que, na maioria dos casos, é necessário retirar também os filhos do convívio com o agressor. Atualmente, oito mães, 17 filhos e outras três adolescentes vítimas de estupro vivem no abrigo, onde recebem acompanhamento psicológico.
Oleni Raizer, coordenadora do projeto, explica que o abrigo tem por função dar às mulheres proteção e apoio terapêutico, jurídico e profissional. Ela acrescenta que as mulheres recebem instruções de seus direitos como cidadãs e aprendem a exercitar sua autonomia. ''A maior dificuldade é mostrar para elas que a realidade aqui é bem diferente daquela que viviam'', frisa.
Na casa, cujo endereço não é divulgado para evitar que os agressores tentem resgatar as mulheres, são fornecidas quatro refeições diárias e atividades sócio-educativas. O limite de permanência é de três meses, período em que a coordenação busca a reconciliação do casal. Caso não seja possível, o abrigo se responsabiliza pelo encaminhamento social da pessoa. ''Procuramos emprego, casa para aluguel e continuamos o atendimento, fornecendo, inclusive, cesta básica para que a família possa recomeçar a vida'', ressalta Oleni.
Uma das mulheres que está no Abrigo Nossa Senhora, A.F.S., 36 anos, conta que conviveu por mais de 10 anos com os abusos praticados pelo marido. Quando não partia para a agressão física, ele a torturava prometendo matá-la caso fosse denunciado. ''Ele dormia com uma faca embaixo do travesseiro'', recorda a mulher que está com os três filhos no abrigo e pretende se mudar de Cascavel para fugir do marido.


