Abrapoa faz alerta sobre doenças
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de fevereiro de 1997
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
A Associação Brasileira de Patologistas de Organismos Aquáticos (Abrapoa) está cobrando do governo Federal uma legislação para regular a exploração da piscicultura no País. Hoje, segundo o presidente da Abrapoa, Gilberto Cezar Pavanelli, a proliferação de tanques e a falta de capacitação técnica colocam em risco a piscicultura nacional. Sem uma legislação específica a atividade pode se tornar inviável com o aparecimento de doenças, o que poderia ser evitado, afirma Pavanelli.
A proliferação dos pesque-pagues é o maior risco. Segundo dados da Abrapoa, apenas no Estado de São Paulo existem mais de mil pesqueiros. No Paraná, não existem dados precisos sobre o número de pesque-pagues, mas Pavanelli observa que apenas na região de Toledo existem cerca de 4 mil piscicultores que fornecem alevinos e peixes para pesqueiros de todo o Paraná e São Paulo.
Ele alerta que, sem uma legislação, os peixes podem ser transportados para qualquer ponto do País, mesmo estando doentes. Não existe um acompanhamento que evitaria a proliferação de doenças que podem colocar em risco a piscicultura de toda uma região, alerta. Pavanelli observa ainda que falta formação técnica para acompanhar o crescimento da atividade.
Os pesque-pagues trazem ainda outra preocupação para a Abrapoa. Como cada pescador gosta de espécies diferentes, os pesqueiros procuram diversificar para atrair os clientes. Neste caso pode ocorrer a presença de espécies não compatíveis na mesma lagoa, o que aumenta os riscos de doença.
Existe ainda o prejuízo ambiental. Como nem todos os pesqueiros são construídos com acompanhamento técnico, o excesso de chuva pode provocar o rompimento do tanque.
Para evitar as doenças, segundo Pavanelli, é preciso apenas adotar um manejo simples. Ele orienta os criadores a fazer a profilaxia em tanques menores, dos alevinos e peixes que chegam de qualquer outro criatório. Os peixes devem ainda passar por um período de quarentena antes de serem jogados nas lagoas. O manejo adequado tem um custo menor, já que a única saída em caso de contaminação é o sacrifício de todo o cardume.


