Abraço simbólico contra crise no HU reúne do paciente ao diretor
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sábado, 07 de dezembro de 1996
Pedro Livoratti 
Portando faixas e cartazes, estudantes, professores e funcionários do Hospital Universitário de Londrina participaram, ontem à tarde, de uma manifestação, abraçando simbolicamente o prédio do hospital.
O protesto teve o objetivo de sensibilizar o Governo do Paraná a liberar R$ 30 milhões, previstos no orçamento de 96 do Estado para obras de reformas e ampliação do HU.
A manifestação, que contou com professores de vários cursos da Universidade de Londrina, ganhou contornos maiores e acabou se transformando em uma reflexão sobre o ensino público superior no Paraná. Além do problema de infra-estrutura, o hospital passa pela mesma crise de recursos humanos enfrentada atualmente pela UEL, devido ao baixo salário dos professores e funcionários.
O diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, se mostrou surpreso com a adesão ao movimento. Vereadores, secretários municipais, pacientes e familiares de pacientes faziam parte do imenso cordão humano que contornou o velho prédio do hospital, desgastado pelos 40 anos de uso.
Reconhecendo a dificuldade enfrentada pelo hospital, diretores dos centros de estudos da UEL também se solidarizaram e participaram ativamente da manifestação. Os diretores disseram que a mesma crise atinge as diversas áreas de ensino da UEL.
Até mesmo os pacientes em melhores condições de saúde foram liberados pelos médicos para participar do movimento. Em meio a cadeiras de roda, sondas e suportes de soro, muitos doentes fizeram questão de engrossar o cordão, alguns inclusive portando cartazes pedindo a liberação dos recursos para a reforma do HU.
Entre os familiares de pacientes estava a dona-de-casa Elisângela Martins, 18 anos, com o filho Tadeu, de apenas 1 ano e sete meses. O menino sofre de histicitose X, uma doença rara, de causa desconhecida e que tem o tratamento dificultado justamente pela não existência de literatura médica sobre o assunto.
A mãe e o menino estão praticamente morando no HU há cerca de sete meses, desde que Tadeu começou o tratamento. Ele tem dificuldades para respirar e necessita constantemente de oxigênio. Praticamente este hospital é a minha casa, considera a dona-de-casa.
Elisângela se diz satisfeita com o HU, que, conforme afirmou, salvou a vida de seu filho. O governo deveria liberar o dinheiro, seria bom para todos, não só para eu que dependo do hospital. A dona-de-casa espera a melhora de Tadeu para passar o Natal em casa com a família, que mora em Bela Vista do Paraíso.
O diretor-superintendente Cláudio Camacho disse que espera uma resposta do Governo Estadual para os próximos dias sobre a liberação da verba e manifestou a intenção de procurar a assessoria do governador Jaime Lerner, na próxima semana. Ele tentará agendar uma audiência, com o objetivo de conseguir a liberação de, pelo menos, parte dos R$ 30 milhões previstos no orçamento deste ano.
Ele teme que o não início das obras prorrogue a agonia pela liberação de recursos para o próximo ano. Corremos o risco de um colapso, como já ocorreu em outras partes do País com mortes de pacientes. Se não cuidarmos da estrutura física do HU, juntamente com nossos recursos humanos, podemos chegar a essa situação.
Além de reformas urgentes, o hospital também carece de investimentos em tecnologia. O prédio era um antigo sanatório para tuberculosos, que foi transformado em hospital de especialidades. Por causa da superlotação das enfermarias, corredores apertados são disputados por pacientes que ocupam macas e por estudantes apressados. Rachaduras nas paredes, problemas hidráulicos e desconforto dos pacientes estão entre os problemas do prédio.
A falta de investimentos, informa Cláudio Camacho, também deixa o hospital atrasado em relação à tecnologia disponível na área de saúde. Segundo o diretor, mesmo tendo referência regional e atendendo pacientes inclusive de outros Estados, o HU não dispõe de tomógrafo e de aparelho para angiografia digital, usado no estudo de doenças circulatórias.
Na lista dos equipamentos que precisam ser adquiridos estão também aparelhos para tratamento de especialidades cardíacas e de ressonância magnética. Um hospital-escola sem isso é praticamente inaceitável, afinal temos 25 anos de atividades.


