Abra o olho: hoje é 1º de abril
Albari RosaHenrique Ramos, aposentado, diz que a mentira pode ter pernas curtas, mas corre rápido. Para ele, os maiores mentirosos são os políticosCuidado com os engraçadinhos de plantão, porque hoje é o dia da mentira. A qualquer momento, um deles pode assustar você avisando que um parente morreu, um amigo adoeceu ou que o departamento de pessoal acaba de anunciar o fim de seu emprego. Depois do susto e do riso dos outros, alguém vai gritar que é 1º de abril. Foi com uma dessas brincadeiras que eu caí no último dia da mentira, conta a dona de casa de Curitiba Doralice Nicolau dos Santos. Ela, que sempre se esquece da data, acreditou que seu pai tinha morrido, no ano passado.
Para não cair feito bobo nessas brincadeiras, tem que ser esperto. E isso eu acho que sou, garante o mendigo Francisco Ramos. Francisco diz que, todo ano, ele aplica alguma brincadeira nos outros colegas de rua. Sou o único que lembra de pregar uma peça, mas para a gente o dia da mentira acontece o ano inteiro, afirma. Ele admite que usa muita mentira para conseguir doações que vão se tornar almoço e jantar no dia-a-dia.
O aposentado Henrique Ramos diz que a mentira pode ter pernas curtas, mas corre rápido. Ele conta que uma vez um amigo mentiu que estava doente por causa de uma solitária. Passada uma semana, toda a cidade sabia que ele estava doente porque tinha mais de 100 vermes na barriga, lembra. Henrique diz que o maior mentiroso é o político. Num dia, eles dizem uma coisa; no outro, fala tudo diferente e a gente acaba caindo na deles, comenta. Mas não existe mentira no meio político, brinca o deputado estadual Nelson Justus (PTB), que admite que às vezes existem ocultações da verdade.
Albari RosaFrancisco Ramos mendiga nas ruas de Curitiba e admite que usa muita mentira para conseguir doações que vão se tornar almoço e jantar no dia-a-dia
Para o psiquiatra Élio Luiz Mauer, o mentiroso é aquele que sabe que falta com a verdade e conhece as consequências disto. O médico explica que o motivo de uma pessoa mentir pode ser benéfico ou patológico. Segundo o psiquiatra Élio Luiz Mauer, uma mentira boa poderia ser as ocultações bem intencionadas do dia-a-dia, aplicadas quando se está ocupado e não se quer ser interrompido. Já as mentiras ruins seriam aquelas ditas para encobrir a realidade ou para não enfrentá-la. Nesse caso são distúrbios de personalidades, informa.
Mas para o aposentado Antônio Camilo da Silva, mentir é ruim de qualquer forma. Brincadeirinha tudo bem, mas sustentar a mentira não dá, porque ela tem perna curtas, um dia alguém vai descobrir, diz. (I.R.)





