Abordagem a menores será ampliada
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Arquivo FolhaPrimeiro diaMenores são recolhidos no arrastão: 52 adolescentes e 23 crianças já foram encaminhados ao Conselho TutelarO trabalho de abordagem aos menores de rua vai passar a ser feito também durante o dia, e não mais só à noite, como acontece desde o dia 26 de junho. A decisão foi tomada ontem de manhã, durante reunião no Fórum de Londrina, com a presença de representantes das entidades que participam do projeto: polícias Militar e Civil, Conselho Tutelar, Vara da Infância e Adolescência, Ministério Público e Secretaria Municipal de Ação Social.
Até ontem, a operação recolheu, em oito abordagens, 75 menores - 52 adolescentes e 23 crianças. Todos foram encaminhados para o Conselho Tutelar e de lá, após uma triagem, levados para as famílias ou para o Serviço de Triagem e Encaminhamento de Menores (Setrem). Vinte famílias já foram visitadas pelas educadoras da Secretaria Municipal de Ação Social e as restantes ainda serão visitadas, explica o juiz da Vara da Infância e Juventude, Dimas Ortêncio de Melo.
Outra decisão tomada na reunião de ontem foi que a abordagem passará a ser feita também nos mocós da Cidade. A ação será estendida para estes pontos críticos, diz o juiz, porque agora já foi viabilizado um local para receber os menores infratores: subdelegacia do distrito da Warta (zona norte).
Dimas Ortêncio de Melo comenta que o resultado da operação está sendo positivo. Vinte famílias já foram visitadas e os menores encaminhados para as escolas, oficinas profissionalizantes ou inseridas em programas assistenciais da Prefeitura.
Os adolescentes que resistem à idéia de voltar para a escola - cerca de 15 - serão chamados, junto com os pais, para uma audiência no Fórum. São jovens com média de idade de 16 anos que não respeitam nem mais a autoridade da família. Vamos fazer uma intervenção judicial e encaminhá-los à escola ou outra entidade. Se houver desobediência, os pais e os menores serão penalizados, diz a promotora da Vara da Infância e Juventude, Solange Vicentin. Segundo ela, os pais podem até mesmo perder a guarda dos filhos.
Solange Vicentin ressalta que o trabalho de abordagem de rua não tem data para terminar: Nossa meta é fazer com que acabe a situação de risco de crianças e adolescentes que permanecem na rua. A promotora avisa que a Justiça e a polícia farão marcação cerrada aos menores que cuidam de carro ou exercem outras atividades lucrativas na rua. Uma idéia, segundo Dimas Ortêncio de Melo, é aumentar os trechos de estacionamento para Zona Azul na Cidade.
Para o presidente do Conselho Tutelar de Londrina, Júlio Botelho, a ação está sendo positiva, já que está coibindo a permanência de crianças nas ruas. O lugar delas é em casa, ressalta. Ele lembra que a abordagem tem demonstrado que a maioria das famílias das crianças que vivem na rua atravessa sérias dificuldades financeiras. A situação dos menores passa pelo problema da falta de emprego e da miséria em que vivem a maioria das famílias.
Júlio Botelho reconhece que há nas ruas menores cujas famílias não passam por problemas financeiros. Eles ficam na rua para conseguir dinheiro para comprar um tênis, um aparelho de som ou alguma outra coisa supérflua. Na opinião do presidente do Conselho, é preciso que a Prefeitura crie um programa de abordagem contínua e intensiva contra a permanência de menores nas ruas, guardando carros ou exercendo outras atividades lucrativas.
Ele acredita que hoje mais de 200 crianças estão perambulando pelas ruas de Londrina, cuidando de carro, pedindo esmola ou outras atividades. Só este ano atendemos mais de 200 crianças nesta situação. Acreditamos que o número seja maior, porque muitos casos nem chegam ao conhecimento das autoridades, frisa Botelho.


