A simulação de um assalto à estação-tubo Itajubá, no bairro Portão, em Curitiba, feita anteontem por dois policiais civis a pedido de um jornal, foi condenada pelo procurador de Justiça do Estado, Dartagnan Abilhoa. ‘‘Apesar do objetivo ter sido o de mostrar a falta de segurança, considero a ação irresponsável’’, disse ele. ‘‘Nossa intenção era apenas a de fazer um alerta’’, defendeu-se o delegado Agenor Salgado, que autorizou a operação.
Abilhoa insistiu na crítica: ‘‘Se é fácil roubar um cobrador, que avisem à Polícia Militar e à Guarda Municipal’’. Salgado, titular da 2ª Delegacia de Furtos e Roubos, afirmou que era preciso mostrar a fragilidade do sistema para indicar mudanças. O procurador enumerou várias possibilidades de um final trágico para a simulação: ‘‘O cobrador poderia ser cardíaco e ter um ataque, talvez até algum passageiro reagisse à bala’’.
O delegado informou que todos os critérios de segurança foram utilizados para garantir o sucesso da simulação. ‘‘Nós rastreamos a área para detectar a presença de outros policiais e avisamos o cobrador’’, contou Salgado. Na reportagem publicada pelo jornal, o cobrador Antônio Santos Cruz é descrito como uma pessoa bastante assustada devido ao suposto assalto e nega ter sido avisado com antecedência do falso roubo.
O coronel da PM Renildo Gonçalves da Silva, comandante do policiamento da capital, recebeu um telefonema do chefe da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, delegado João Manuel Siqueira Dias, que tratou a simulação como ‘‘uma ação isolada’’. Segundo o coronel, o relacionamento entre as duas corporações não foi afetado. (D.J.)

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