Abifarma admite que não controlava a origem
Marcelo AlmeidaMitsuru Myaki diz que HC vai exigir comprovação de origemO proprietário da distribuidora de medicamentos Abifarma, Antonio Baréa, confirmou ontem em Curitiba que a empresa não mantinha controle sobre a origem dos medicamentos vendidos a seus clientes. A Abifarma vendeu um lote adulterado do remédio Androcur, indicado para o tratamento de câncer de próstata, para o Hospital de Clínicas da UFPR e para o Hospital Universitário de Londrina. Baréa disse que a sua empresa foi envolvida no caso, e admitiu que o lote vendido ao HC pode ter sido adquirido de uma outra distribuidora, de Porto Alegre, cujo nome ele se negou a revelar.
Baréa prestou depoimento na segunda-feira na Promotoria de Defesa do Consumidor. O caso ainda está sendo investigado pela Polícia Federal. Ele disse que a empresa adquiria remédios tanto dos fabricantes como de outros fornecedores. Agora, afirmou, as compras serão feitas somente das indústrias, até porque os grandes clientes, como o HC, passarão a exigir comprovação da origem dos medicamentos, como informou ontem o diretor-geral do hospiral, Mitsuru Myaki.
O HC está tentando tirar o hospital do foco do assunto, transferindo para a Vigilância Sanitária a competência de dar informações. Ainda assim, o diretor do HC disse que o HC vai exigir, nas licitações, a comprovação de origem.
Mitsuru Myaki disse que o HC tomou duas providências: a primeira, de caráter jurídico, foi comunicar o fato à Polícia Federal e à Vigilância Sanitária. A segunda medida foi médica, ao chamar os 90 pacientes medicados com o Androcur falso para avaliar as consequências. Myaki afirmou que, em princípio, os remédios adulterados não devem provocar efeitos colaterais, porque, segundo a análise química, se tratava de placebo, sem qualquer princípio ativo.
Posicor - O remédio Posicor, indicado para tratamento de hipertensão arterial e angina, vai ser retirado do mercado, porque a Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos considerou seu uso perigoso, quando associado a antialérgicos e antibióticos. O fabricante do produto, o laboratório Roche, espera ter o plano de retirada do medicamento pronto em dez dias. A Vigilância Sanitária recomenda que os pacientes que usam o Posicor consultem seus médicos. (E.B.J.)





