Abertura de rua em praça gera polêmica
A abertura de uma rua, no meio de uma praça, vira caso de polícia em Ponta Grossa. A prefeitura armou a maior confusão ao tentar abrir uma rua no meio da Praça Barão do Rio Branco, uma das mais antigas do centro da cidade, considerada um marco do desenvolvido do municípío. Sem autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e contrariando a lei estadual que garante a preservação do Patrimônio Histórico, a obra foi embargada pelos órgãos ambientais e suspensa pela 3ª Vara Cível da Justiça de Ponta Grossa.
Um dos fatos que chamou a atenção, foi que as obras de abertuira da rua começaram no início na noite de quarta-feira, como se estivessem sendo realizadas sem que a população pudesse ter um conhecimento prévio das mudanças. Porém, logo que as máquinas entraram em operação, um grande número de pessoas invadiu a praça na tentativa de evitar que a rua fosse aberta. Ambientalistas, políticos e representantes de vários segmentos organizados da sociedade reuniram-se na praça e conseguiram com que a prefeitura parasse com as obras.
Albari RosaDepoisA rua foi aberta por máquinas sem a autorização do IAP que embargou a obraO prefeito Jocelito Canto (sem partido) afirma que as máquinas entraram na praça às 19 horas. Testemunhas alegam que as obras tiveram início às 22h30, sendo suspensas somente depois da intervenção da Polícia Militar, que atendia solicitações de moradores das imediações que reclamavam do barulho causado pelas máquinas naquela hora da noite. Segundo Canto, na quarta-feira os funcionários da prefeitura pararam de trabalhar na praça por volta das 23 horas.
PMs permeneceram na praça por um certo tempo, com a finalidade de garantir a ordem no local. Mas a prefeitura, ignorando todas as manifestações e protestos contrárias à abertura da praça, que aconteceram na noite de quarta-feira, retomou as obras na manhã de ontem, pouco antes das 7 horas, causando ainda mais polêmica em torno do assunto.
Ambientalistas, vereadores, deputados e representantes da população voltaram para a praça ontem pela manhã, novamente na intenção de impedir a ação da prefeitura. O prefeito Jocelito Canto estava presente, mas não conseguiu fazer com que as obras tivessem prosseguimento. Atendendo a diversas denúncias da população, o IAP, através do escritório regional de Ponta Grossa, embargou a obra alegando que a prefeitura não havia apresentado nenhum projeto ambiental para abrir uma rua no meio da praça.
Além do embargo do instituto, uma liminar expedida pelo juiz Francisco Carlos Jorge, da 3ª Vara Cível, suspendeu por tempo indeterminado as obras de abertura da nova rua. A liminar atende um pedido de medida cautelar impetrado pelo deputado estadual Péricles Hollebem de Mello (PT).
A praça está localizada ao lado do Colégio Estadual Regente Feijó, cujo prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico em 1990. Pela lei de preservação, toda obra a ser realizada num raio de 500 metros do prédio tombado, precisa de uma autorização do Patrimônio Histórico para ser executada. Assim como não havia apresentado o projeto ao IAP, a prefeitura também não tinha autorização do Patrimônio Histórico.
No passado a rua que a prefeitura pretende abrir já existia. A município agora está recorrendo a documentos e fotos antigas para mostrar à população que logo que foi construída a praça já era dividida por uma rua. Historiadores de Ponta Grossa dizem que a Barão do Rio Branco foi construída em 1928.





