Não é exagero, mas um especialista em retirar abelhas de residências de Londrina diz que já chegou a usar fogo, veneno e até lacrou o lugar para livrar uma família de uma colméia para desespero dos ambientalistas. Porém, só os que convivem com o problema é que sabem o que significa a ''vizinhança indesejada'' que se aloja, muitas vezes, em lugares que torna o trabalho do profissional capacitado quase uma missão impossível.
É só chegar os dias mais quentes que as reclamações sobre o aparecimento de enxames de abelhas aumentam. Tanto que, há dois meses, representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) se reuniram com Corpo de Bombeiros, Polícia Florestal e da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo foi discutir a situação e estudar as limitações que impedem a retirada de abelhas silvestres pelos bombeiros. São eles, ainda hoje, apesar de não poder atenderem, à quem as pessoas buscam na hora de reclamarem sobre o problema. Nesse caso, são orientadas a procurar o serviço de um apicultor, que geralmente cobra pelo serviço.
A Sema possui os equipamentos necessários para lidar com abelhas, como macacão de brim, botas e luvas, mas somente pode fazer a retirada de enxames em locais público. O Código de Posturas do Município abre exceção para situações em que as abelhas estejam em casas cujas famílias sejam consideradas de extrema pobreza. Mas é preciso critério para estabelecer o que pode ser um caso extremo.
''Estamos vendo com o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para verificar se realmente existem limitações para se retirar os enxames. O que acontece é que muitas pessoas não querem pagar R$ 50 para que um especialista faça a retirada'', afirma o assessor responsável pelos parques municipais, Sidney Antonio. O assessor acrescenta que uma nova reunião deve ser agendada para discutir o problema.
Guarda-roupa de criança, cômoda, assoalho, enfim, a criatividade das abelhas para escolherem um lugar para a colméia não tem limites. No quintal da aposentada Maria do Reino, 67 anos, moradora do Jardim San Remo (Zona Oeste), os insetos escolheram um brecha entre duas casas.
''As abelhas enchiam a minha cozinha. Teve uma vizinha que foi parar no hospital por causa das picadas'', lembra a aposentada, que somente se viu livre dos insetos depois que chamou uma pessoa especializada para tirá-las. ''As abelhas voavam para a outra rua, chegando a picar o neto de um senhor que mora lá'', conta a aposentada, agradecendo a Deus ter se livrado das abelhas, que não poupavam até os seus cachorros.
Apesar de chamar de ''minhas abelhas'' os insetos que invadiram a sua chácara no Jardim Sabará II (Zona Oeste) há seis meses, a dona-de-casa Sueli Turino Ferreira, 56 anos, estava incomodada com a vizinhança, que chegou sem avisar e se instalou, formando dois enxames no forro de sua casa.
Na segunda-feira, decidiu pôr um ponto final no zunido inconveniente, chamando o apicultor Edmundo Kisser, 48 anos, para retirá-las. Dona Sueli ficou surpresa ao ouvir o apicultor dizer que cada enxame deveria ter cerca de 6 a 8 mil insetos.

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