Abelhas infernizam moradores da Zona Sul
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
No Jardim Franciscato (Zona Sul) existe uma rua, de nome Pedro Pereira da Silva, que ficou conhecida como a ''rua das abelhas''. Nos últimos anos, uma colméia adotou um cedro como moradia, e a família que mora no número 185, a poucos metros da árvore, não tem tido sossego. Os moradores acreditam se tratar de abelha africana, e a única tentativa de retirada do enxame do local foi um pedido de socorro ao Corpo de Bombeiros. Porém foram informados que este tipo de serviço não é de competência da corporação.
Como não conhece nenhum apicultor, a família vem convivendo com os insetos, que com frequência atacam pessoas e animais. Há cerca de dois anos, o garoto Renan Gonçalves Lucena, de 10 anos, resolveu brincar em um galho caído da árvore e foi atacado. Ele não esquece o desespero de ter cabeça e costas tomados pelas abelhas. ''Minha camisa enroscou no arame da cerca, minha irmã tentou me socorrer e também foi atacada. Tinha um amigo comigo que levou três picadas no rosto.'' Renan foi levado para um hospital, onde ficou internado para retirada dos ferrões.
No mesmo dia, segundo o garoto, um cachorro de uma vizinha e um burro que pastava próximo à árvore também foram atacados e morreram. Dias atrás, um bebê de 11 meses da família Lucena foi picado na boca. ''Sempre tem abelha dentro de casa'', conta o menino, que já não se aproxima mais da árvore para brincar.
O primeiro sargento Paulo de Tarso Figueiredo, do Corpo de Bombeiros, confirmou que a corporação só é autorizada a prestar socorro a animais domésticos, como cães e gatos, em situações que apresentem risco de vida ao animal. ''Já as abelhas, e também urubus, que hoje são comuns na cidade, não são de nossa competência. Quando somos procurados, orientamos a pessoa a isolar o local e esperar algumas horas, porque no caso das abelhas, podem estar em processo de migração para outro local. Se o problema persistir, uma alternativa é entrar em contato com algum apicultor.'' Segundo o sargento, porém, eles cobram pelo serviço.
No caso específico do enxame existente no Jardim Franciscato, Figueiredo informou que os bombeiros receberam um pedido de apoio por parte da Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) para a retirada das abelhas, depois que o problema foi divulgado na imprensa. ''O local em que as abelhas estão - muito alto e com residências por perto - oferece risco, por isso acionamos o Corpo de Bombeiros'', explicou o diretor operacional da Secretaria, Gelson Galdino. A remoção do enxame seria feita ontem à noite. Segundo o diretor, a Sema não tem estrutura para prestar este tipo de atendimento.
Já a Polícia Florestal informou que pode apenas dar apoio no resgate de animais silvestres. As abelhas são consideradas insetos exóticos, por não serem nativas do Brasil. Além disso, os policiais não receberam treinamento para removê-las sem o risco de matá-las. Segundo o soldado ouvido pela Folha, a recomendação da polícia, quando procurada, também é de que a pessoa recorra a um apicultor.


