Abelhas atacam no centro de Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
O cabeleireiro Dilson César Figueira, de 38 anos, foi atacado por um enxame de abelhas na manhã de anteontem, em frente à sua casa, na Rua Riachuelo, 222, Bairro Higienópolis, no centro de Londrina. Ele calcula que tenha recebido em torno de 200 picadas. Figueira, que foi socorrido pelo Siate, sofreu choque anafilático (reação alérgica) e por pouco não teve uma parada cardíaca. Um cachorro da raça cocker spaniel também foi atacado e morreu.
Eu estava saindo para ir à igreja, pouco antes das 9 horas. Quando cheguei ao portão, fui atacado pelas abelhas, contou o cabeleireiro. Ele estava acompanhado de sua filha de oito anos, que já se encontrava no carro. Gritei para que ela ficasse lá dentro e comecei a pedir socorro ao Carlos (Antonio Carlos Stutz, que mora na casa ao lado e era o proprietário das colméias), mas ele não apareceu. Segundo Figueira, outros vizinhos ligaram para os bombeiros.
De acordo com Figueira, há três meses as abelhas já haviam atacado sua cadela da raça pastor alemão, mas ela resistiu. Na ocasião, pedimos que as colméias fossem tiradas dali, mas ele (Stutz) argumentou que levaria em breve as abelhas para seu sítio, onde tem mais algumas colméias. O cabeleireiro contou que, com as ferroadas, passou a tremer muito, sentir falta de ar e forte dor no peito. O Siate o encaminhou à Santa Casa, onde recebeu medicamentos para evitar a parada cardíaca e antialérgicos. Ele ficou em observação por cinco horas.
Por aproximadamente duas horas, dois médicos e três enfermeiras trabalharam sem parar retirando os ferrões, explicou. Figueira disse que teve que tomar morfina para diminuir a dor das picadas.
O médico que estava de plantão na Santa Casa, o clínico geral Antonio Carlos Petrus, afirmou que o cabeleireiro correu risco de vida por ser alérgico e o número de abelhas ter sido muito grande. Se não fosse socorrido a tempo, provavelmente teria tido a parada cardíaca. O médico explicou que uma pessoa alérgica pode sofrer o choque anafilático com apenas uma ferroada. Já as que não são alérgicas, segundo ele, podem vir a sofrer o choque caso o número de abelhas seja muito grande.
Ainda de acordo com o médico, o socorro a uma pessoa que foi atacada por enxame deve ser feito por quem entende do assunto, pois se os ferrões forem retirados de maneira incorreta, podem liberar mais veneno. O correto é retirá-los com a lâmina de um bisturi ou faca, sem apertá-los.
Para controlar o ataque das abelhas, o Corpo de Bombeiros enviou ao local duas viaturas, além da ambulância do Siate. A rua foi interditada e os bombeiros foram obrigados a queimar as colméias para controlar a situação. Segundo o tenente Ezequias de Paula Natal, o extermínio dos insetos só é adotado quando há risco de novos ataques. A primeira providência é retirar a vítima do local. Se necessário, usamos até água para controlar o enxame.
Ontem, a Folha tentou ouvir Antonio Carlos Stutz, mas, em sua casa, ninguém atendeu à reportagem. O telefone da residência também não foi atendido.


