Ossamu KandaIntoxicaçãoA médica Magda Félix mostra as costas da dona de casa Silvana, que precisou ser atendida no HU de MaringáAbelhas da espécie europa (Appis melífera) atacaram 60 pessoas na tarde de domingo na cachoeira do Rio Saltinho, a 11 quilômetros de Itambé (35 km de Maringá). Cinquenta e nove banhistas, entre eles 10 crianças, foram atendidos no Hospital Itambé e medicados com soro, Fenergan e Decadron. Em média, os médicos e enfermeiras retiraram 50 ferrões de cada um deles. Todos já receberam alta.
Apenas a dona-de-casa Silvana Ribeiro dos Santos, 21 anos, foi levada de Itambé para o Hospital Universitário de Maringá (HU). Ela levou cerca de 60 picadas e teve início de hipotensão. Segundo a secretária do Hospital Itambé, Marli Moreira Coutinho, o estado de saúde de Silvana inspirava maiores cuidados e por isso foi transferida para o HU. Em setembro de 97, o estudante Leonardo Morelli, 19 anos, morreu no HU depois de levar 900 picadas de abelhas europa.
Silvana contou à Folha, pouco depois de receber alta do HU na manhã de ontem, que tomava banho na cachoeira junto com outras famílias por volta das 15 horas de domingo quando viu ‘‘uma turma correndo para fora da água’’. ‘‘Não consegui correr. Fiquei sem ação. Meu filho de um ano e oito meses, graças a Deus, ficou na casa de minha sogra. De repente, comecei a sentir picadas por todo o corpo. Não conseguia nem chorar. Desmaiei e acordei no hospital de Itamb钒. Segundo ela e a secretária Marli, um garoto atirou uma pedra numa colméia que estava numa árvore, o que teria provocado a ira das abelhas. Foi a primeira vez que abelhas atacaram banhistas do Rio Saltinho.
No HU, Silvana foi tratada com medicação antialérgica. A médica-coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações do HU, Magda Félix, 40 anos, explicou que Silvana chegou no domingo às 16h30 com pressão arterial baixa e muitas picadas nas costas, rosto e membros inferiores. Foi medicada com o antialérgico Polaramine e Fenergan intra-venal e ficou sob observação até a manhã de ontem. Do seu corpo, foram retirados 60 ferrões.
Magda disse que a população não deve se apavorar ou ficar com medo de abelhas. ‘‘Não existem vilões na natureza. O que ocorre é que no verão as pessoas se expõem mais à natureza, tomam banhos em rios e cachoeiras, fazem piqueniques, enfim, ficam mais tempo ao ar livre, o que aumenta as possibilidades de acidentes’’.
Segundo a médica, a gravidade das picadas de abelhas é medida pelo número de picadas e não pela espécie da abelha. ‘‘Até 100 picadas, a pessoa apresenta um quadro alérgico de gravidade moderada. Mais de 100, já é um caso mais sério e exige maiores cuidados. Pode ser fatal, como foi o caso do Leonardo’’.
Por ano, o Centro de Controle de Intoxicações do HU atende uma média de 160 pessoas. Destas, uma média de 50 são atendidas devido a picadas de animais peçonhentos, como abelhas, aranhas, marimbondos, escorpiões e cobras. No verão, esse número sobe para 65.

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