Abdução, o sequestro de terráqueos
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 1997
Gilse Guedes Agência Estado, Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaGilda: Que seres são esses que podem danificar uma mente?Raptos por alienígenas e traumas psicológicos. Pessoas que têm pesadelos com monstros, acordam com marcas ou cicatrizes, sentem choques elétricos pelo corpo, interferem na intensidade da iluminação das casas e desenvolvem poderes paranormais. A descrição parece ter sido tirada de um filme de ficção científica, mas não é o caso. Essas situações são reais, segundo a psicóloga carioca Gilda Moura, especializada em tratar pessoas com traumas causados por rapto de alienígenas.
Gilda trabalha há 20 anos com o fenômeno dos Objetos Voadores Não-Identificados (Ovnis). Ela é diretora do Centro de Estudos Alterados da Consciência do Rio de Janeiro, criado especialmente para pesquisar o assunto. Em 1992, Gilda publicou um livro intitulado Ufo: Contacto Alienígena, em que relata a experiência de duas pessoas que disseram ter sido raptadas - abdução - por alienígenas. A psicóloga se dedica a fazer regressão em pacientes que foram contactados por seres de outro planeta, do passado e futuro ou da própria terra. É um fato que acontece com as pessoas, é uma realidade que atinge pessoas do mundo inteiro.
A preocupação de Gilda é entender o motivo pelo qual o contato com os alienígenas interferem na mente humana. O fato é que recebo pessoas em meu consultório com problemas psicológicos; o intrigante é saber que seres são esses que podem danificar uma mente, diz a carioca. Ela relata em seu livro a experiência de um jovem internado em uma clínica psiquiátrica sofrendo de traumas da abdução.
A psicóloga recebe em seu consultório homens e mulheres com relatos semelhantes. Após um estudo de comportamento, Gilda identifica semelhanças nos problemas. As pessoas evitam determinados lugares, entram em depressão, sentem taquicardia, dor de cabeça, passam a ter um medo constante e sentem pânico quando vêem um filme que lembre a experiência vivida.
Segundo Gilda e os ufólogos - estudiosos do fenômeno -, homens e mulheres são levados, regularmente, para dentro de uma nave ou caverna contra a vontade e passam por uma série de exames psicológicos e biológicos. São retirados até mesmo sêmen, óvulos e tecidos, além de relatos de relações sexuais com os alienígenas. Existe um plano, em que as pessoas são abduzidas desde pequenas, a partir de um ano de idade e na fase reprodutiva esses contatos, uma espécie de check-up, são feitos de dois em dois anos.
Ela diz ainda que o paciente pode ter o trauma registrado no inconsciente, o que é mais grave, pois a pessoa sofre de problemas relacionados ao fenômeno sem conseguir identificar a origem do problema. Todos os acontecimentos são insuportáveis para a cabeça dos pacientes, extremamente racionais. Gilda descreve abdução como um fenômeno que ocorre a qualquer momento, em casa ou na rua. Você pode estar em um automóvel, andando de carro, namorando no banco de um jardim, ou em um piquenique, até mesmo dormindo.
Os alienígenas, segundo ela, podem abduzir todos que estiverem acompanhando o escolhido - apenas um grupo de pessoas são raptadas. Eles (alienígenas) levam o grupo todo, induzem-no a dormir ou paralisam o tempo para levar a pessoa que eles querem.
Gilda não sabe dizer ao certo quantas pessoas sofrem do trauma pós-abdução. Sabe apenas que, em 1992, havia 139 casos conhecidos no Brasil. No mesmo ano, foi realizado um encontro nos Estados Unidos para discutir o assunto. A Conferência de Estudos sobre Abdução (Abduction Study Conference), no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), reuniu cientistas, investigadores de ufologia, psicoterapeutas e abduzidos preocupados com o crescimento dos problemas relacionados ao fenômeno. Segundo Gilda, há quase 2% da população norte-americana que sofre deste trauma. No Brasil, o número é semelhante.
Nos próximos dias, a psicóloga deve viajar aos Estados Unidos para iniciar uma pesquisa de mapeamento cerebral com abduzidos. Ela já iniciou o trabalho no Brasil com um cientista da Universidade Lynois com 60 brasileiros, entre pessoas contactadas por alienígenas, paranormais, médiuns espíritas e de Umbanda. A pesquisa utiliza 19 eletrodos na cabeça dos selecionados para identificar se há alteração de impulsos elétricos cerebrais, quando a pessoa entra em transe.
A experiência já produziu efeitos positivos e interessou físicos do MIT, além de despertar a atenção de pesquisadores do Hospital de Cambridge e da Universidade da Harvard, em Boston. Verificamos que apenas os abduzidos foram capazes de produzir ondas de alta frequência em uma parte do cérebro. Gilda já está de malas prontas para viajar, mas aguarda apenas a liberação de verba do MIT para realizar os testes em oito norte-americanos.


