A Vigilância Sanitária de Cascavel autuou ontem um abatedouro clandestino de carnes que funciona dentro de uma fazenda localizada nas proximidades do Distrito de Rio do Salto. Os fiscais da vigilância chegaram até o abatedouro depois de uma denúncia feita pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), através da Promotoria de Defesa do Consumidor.
Apesar de não ser encontrada carne dentro da câmara fria, outros equipamentos, como balanças e facas, resultaram no auto de infração emitido pela vigilância. O chefe da fiscalização, Valmor dos Passos, explicou que nas paredes existiam marcas de sangue que caracterizam a ‘‘matança clandestina’’. ‘‘As condições de higiene estão fora dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde para esse tipo de atividade’’, diz.
Segundo Passos, as condições precárias de higiene em que são realizados os abates colocam em risco a saúde pública. Durante a autuação, os fiscais encontraram carcaças de animais nos fundos da propriedade, aumentando os indícios de que são realizadas matanças irregulares no local.
O proprietário do abatedouro, Ulisses Acir de Cristo, negou que estivesse utilizando a fazenda para abater carnes como forma de comércio. Ele justificou que as carnes provenientes do abatedouro são para consumo próprio e em casos de festas realizados por seus familiares. ‘‘Com o preço que estão pagando pela carne não compensa abater. É mais fácil vender o boi para os frigoríficos’’, completa.
Durante a permanência da fiscalização em sua propriedade, Acir dizia ter notas fiscais comprovando a venda dos animais, mas quando as notas foram solicitadas, ele afirmou que as mesmas estavam guardadas em sua casa. Outro agravante contra o pecuarista, é o fato dele ser proprietário de um mercado, onde são vendidas carnes. ‘‘Não podemos afirmar, mas é provável que a carne esteja sendo vendida em seu mercado’’, observa Passos.
Valmor acrescentou que o pecuarista tem 15 dias para apresentar sua defesa por escrito à Vigilância Sanitária. Todas as provas encontradas no abatedouro foram fotografadas e juntamente com a defesa serão encaminhadas à Promotoria de Defesa do Consumidor que tomará as providências cabíveis. Entre as sanções previstas nesse caso, estão desde multas até prisão no caso de flagrante.

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