Abastecimento está ameaçado
A poluição dos rios, o aumento das ocupações irregulares em áreas de mananciais e o crescimento da população da Região Metropolitana de Curitiba são três fatores que colocam um ponto de interrogação no futuro abastecimento de água nos 25 municípios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Região Metropolitana cresce 3,5% ao ano, mais que Curitiba (2,1%) e três vezes mais que o Paraná (1,2%).
A questão levantada pelo vereador Gustavo Fruet e pela ambientalista Teresa Urban é até quando o sistema de captação e tratamento de água pode aguentar. Teresa, que coordenou um levantamento da situação dos mananciais, afirma que os rios estão ecologicamente mortos. A ambientalista acusa o governo estadual de ser negligente, por não ter posto em prática os 28 programas obrigatórios do Plano Diretor de Águas da Sanepar, que prevê a utilização dos rios de forma regulamentada.
Teresa acredita que o governo estadual pouco fez para evitar a ocupação por famílias carentes de áreas próximas aos rios que abastecem a Região Metropolitana e, numa atitude que ela considerada contraditória, permitiu a instalação de indústria poluente, caso da montadora de automóveis Renault, em áreas de mananciais. O resultado do estudo foi entregue à Sanepar e deve ser divulgado na próxima semana.
Agenor Zarpelon, gerente de Hidrologia da Sanepar, acha o caso Renault polêmico. Ele diz que o plano diretor da estatal já previa a construção da represa do Rio Pequeno acima da BR-101, seguido do abandono da captação de água abaixo da rodovia porque a água estaria prejudicada por ocupações.
Zarpelon afirma que, depois de terminadas as obras nas represas de Piraquara 2, Rio Pequeno e, principalmente, do Rio Iraí, que deve armazenar 56 milhões de metros cúbicos de água, a Sanepar poderá desprezar a captação das águas poluídas dos rios Iraí e Palmital. Aí teremos certeza de que quando houver estiagem não ira faltar água na Região Metropolitana, diz.
Zarpelon revela que a Sanepar pretende investir no tratamento de esgoto de 80% das casas dos municípios de São José dos Pinhais, Colombo e Pinhais, por onde passam os rios que abastecem a Região Metropolitana, para diminuir a presença de coliformes fecais nas águas.
A Sanepar investe ainda no Aquífero Karst, em Colombo. Arlienu Ribas, responsável pela exploração de poços subterrâneos, afirma que 250 mil pessoas já recebem água do Karst. (J.A.)





