Curitiba - Ao contrário da baixa cobertura da rede de coleta de esgoto, a rede geral de abastecimento de água no Paraná atende 83,6% dos domicílios, índice superior à média brasileira de 77,8%. Se levarmos em conta apenas o perímetro atendido pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que atua em 342 dos 399 municípios do Estado, o alcance chega a 98,6%.
Embora a oferta de água seja abrangente, oito das dez mesorregiões apresentam cobertura menor que a média do Estado, chegando à situação extrema de atendimento a apenas 58,3% dos domicílios no Sudeste. Ou seja, 41% da população desta região não têm acesso à rede de abastecimento de água. Outras regiões com baixa cobertura são o Sudoeste e Centro-Sul, onde 36% dos domicílios não são atendidos.
Segundo Daniel Costa dos Santos, professor de Saneamento Ambiental na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a causa deste descompasso foi o investimento prioritário na expansão de redes de abastecimento de água com água potável, sentido em todo País nas décadas de 50 e 60. ''Nesta época houve uma grande incidência de veiculação de doenças através da água, e o Brasil passou a investir em água potável'', explica.
Agora, segundo ele, o País passou a priorizar a expansão das redes de esgoto. ''Com a densidade populacional, o esgoto das casas está poluindo a água novamente. Se não cuidarmos do esgoto, o Brasil vai ter de novo água de péssima qualidade, com risco de voltar a ter doenças de veiculação hidráulica, sem falar no problema ambiental.''
O diretor de Operações da Sanepar, Pierre-Yves Morgue confirma essa situação. Nos 342 municípios em que a Sanepar atua, 44% dos domicílios são atendidos por rede de esgoto, índice superior à média do Paraná, de 37,6%. O objetivo é chegar a 2006 com cobertura de 55% a 60%. ''Hoje a Sanepar investe pesadamente em esgoto e deve, em 15 anos, atender 80% da população'', diz.
Entre 1998 e 2002, de acordo com Morgue, a Sanepar investiu R$ 1 bilhão em obras de rede de água e esgoto. Para chegar à cobertura de 60% em 2006, serão investidos mais R$ 1 bilhão. De acordo com Morgue, as obras devem atingir todo o Estado. Segundo ele, há municípios que já atendem 80% da população com rede de esgoto. É o caso de Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa). ''São municípios que tinham como política priorizar a questão do saneamento, e normalmente esse trabalho é feito em parceria entre a Sanepar e prefeitura.''

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