Abandono gera insegurança nos centros comunitários
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quinta-feira, 03 de julho de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Londrina O pintor João Paulo Ferreira trocou a casa alugada no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), pelo Centro Comunitário do Conjunto Maria Cecília, na zona norte de Londrina. O espaço é amplo, coberto, com um gramado ao fundo e sem custos para o novo morador. "Eu vim para cuidar do lugar, mas o pessoal entra e sai à noite para jogar entulho e aí fica difícil", contou. O mau cheiro não o incomoda e nem a sujeira e os entulhos que parecem estar no local há semanas.
Há sete meses, a reportagem da FOLHA esteve nos centros comunitários dos conjuntos Maria Cecília e Violim, ambos na zona norte. De lá pra cá, o descaso em relação aos imóveis só aumentou, assim como a preocupação dos moradores. "É difícil a gente ouvir a prefeitura reclamando da falta de terrenos para construir escolas e creches quando se tem espaço assim largado pela cidade", desabafou um morador que preferiu não se identificar.
Outra vizinha que mora no conjunto Maria Cecília há dois anos reclamou da falta de segurança e do entra e sai de pessoas no centro comunitário, que fica na Rua Astolfo Nogueira. Segundo ela, a movimentação é maior durante a noite. "É muito complicado isso aqui. A gente já reclamou várias vezes, mas ninguém faz nada", contou.
O cenário com paredes pichadas, vidros quebrados, lixo e entulhos espalhados pelo chão também foi encontrado nos centros comunitários dos conjuntos Violim e Parigot de Souza 2. Telhas foram retiradas do imóvel no conjunto Violim. A construção, na Rua Severino Santini, está parcialmente destruída e a quadra de esportes ao lado já foi palco de um homicídio em janeiro deste ano.
No Parigot, o espaço antes utilizado para festas se tornou esconderijo para criminosos. "Estamos abandonados nesse lugar. Faz muito tempo que nenhum prefeito arruma este centro comunitário pra gente", reclamou Natália Simeoni, pioneira do bairro.
Do total de centros comunitários existentes na cidade, dez são de responsabilidade da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) e o restante é administrado pela própria prefeitura. Alguns imóveis são cedidos a outras secretarias, à Acesf e às associações de moradores.
Reforma
Em relação aos centros comunitários dos conjuntos Maria Cecília e Parigot de Souza 2, o diretor de Gestão de Bens Municipais da prefeitura, Sebastião Vicente Amâncio, declarou que a Secretaria de Educação solicitou permissão para utilizar os dois espaços em atividades pedagógicas. No entanto, os locais ainda precisam ser reformados. Conforme Amâncio, a Educação ficou responsável por apresentar projetos para a execução das reformas. Não há propostas para a utilização do imóvel que fica no Conjunto Violim. A reportagem da FOLHA tentou contato com representantes da Cohab, mas não obteve retorno. (Colaborou Paulo Monteiro/Equipe NossoDia)


