Abandono de tratamento aumenta índices de tuberculose no PR
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o Paraná não deve comemorar. Apesar dos índices estarem caindo ano a ano, a doença ainda não está controlada no Estado. Dados preliminares de 2008 apontam 2.561 novos casos. Em 2007, 138 paranaenses morreram por conta da doença.
De acordo com a coordenadora do Programa Estadual do Combate a Tuberculose, Betina Alcântara Gabardo, o índice de cura no Paraná está em 75,5% e 7,5% dos pacientes abandonam o tratamento. Para ser considerada controlada, é preciso haver um mínimo de 85% de cura e máximo de 5% de abandono. "É uma doença que atinge uma grande população de usuários de drogas, de álcool e pessoas com outras doenças, como a Aids. O tratamento dura seis meses, mas o paciente sente uma melhora após os dois primeiros meses, então deixa de tomar a medicação", explica.
Apesar disso, a incidência da doença no Estado é considerada baixa: 24 infectados para cada 100 mil habitantes. A maioria dos pacientes são homens entre 18 e 55 anos. "Não sabemos o porquê dessa faixa etária. Provavelmente por ser a população economicamente ativa, justamente os que estão mais expostos a contato com outras pessoas", conta Betina.
Com a campanha "A tuberculose tem cura, não abandone o tratamento", que terá ações promovidas por cada município, a Secretaria de Estado da Saúde espera chamar atenção para o problema de saúde pública e fortificar o diagnóstico precoce, quando as chances de cura são maiores. Outra frente irá investigar a ocorrência da doença em Paranaguá, onde, segundo Betina, a incidência ultrapassa os 100 casos a cada 100 mil habitantes.
"Temos 5 mil mortes ao ano no Brasil pela tuberculose. É muito para uma doença curável e a maior parte delas ocorrem pelo diagnóstico tardio. Nossa meta é aprimorar o diagnóstico precoce, com a certeza da cura, não quando o paciente já perdeu 10 quilos", comentou o presidente da Sociedade Paranaense de Tisiologia e Doenças Torácicas, Rodney Frare e Silva.
Os sintomas da doença são tosse, febre vespertina, perda de apetite, emagrecimento, suor noturno, cansaço fácil, dor no peito e escarro com sangue. Mas, segundo Betina, é recomendado procurar um médico ao perceber uma tosse persistente após três semanas. A transmissão acontece pela tosse, espirro, escarro ou mesmo pela fala.
As medidas de prevenção da tuberculose incluem a vacina B.C.G, para crianças de até 4 anos, e o encaminhamento de pessoas que convivam o doente, mesmo sem ter os sintomas, ao posto de saúde. Para o doente não transmitir aos demais, é recomendado proteger a boca com um lenço ou papel ao tossir ou espirrar, não cuspir ou escarrar no chão, ventilar bem o quarto e evitar aglomeração de pessoas em ambientes fechados e sem ventilação.
Somente em Curitiba, 425 novos casos foram notificados no ano passado. Nesta semana, técnicos de 27 unidades de atendimento do órgão farão busca ativa dos chamados sintomáticos respiratórios em áreas de risco. Apesar dos índices term caído na Capital nos últimos três anos, a taxa de cura foi inferior a estadual e o abandono chegou a 10%.
O Brasil ocupa o 15º lugar entre 22 países responsáveis por 80% dos cerca de 8 milhões de casos registrados anualmente no mundo. A incidência nacional é de 47 por 100 mil habitantes. Conforme informações da secretaria municipal, Curitiba está entre os 315 municípios que concentram 70% dos casos identificados no País.


