Abandono de hotel preocupa vizinhança
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sábado, 24 de janeiro de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Moradores e comerciantes do centro de Londrina estão preocupados com o risco de acidente causado pela falta de manutenção do prédio do antigo Hotel Sahão, na esquina das avenidas São Paulo e Paraná, no centro de Londrina. Segundo relatos de testemunhas, pedaços de vidro despencaram das janelas algumas vezes e atingiram a área de trânsito de pedestres no Calçadão. Recentemente, um cano estourou no oitavo andar e a água jorrou no trecho entre uma farmácia e uma agência bancária.
Um vídeo enviado à FOLHA por uma comerciária, que preferiu não se identificar, flagrou o momento em que a "cachoeira" se formou sobre um dos principais centros comerciais da cidade.(Confira o vídeo no site www.folhaweb.com.br).
"Por sorte não molhou ninguém, mas o problema mais grave são os vidros que esses dias quase atingiram uma senhora", contou. Em julho do ano passado, o Corpo de Bombeiros interditou o trecho para a retirada de um tapume que corria risco de cair do oitavo e último andar do prédio.
O imóvel, um dos símbolos do progresso da cidade, foi inaugurado no início dos anos 1950 e está fechado desde o dia 8 de agosto de 2002, por causa de uma disputa judicial. Os 113 apartamentos, distribuídos por oito andares do hotel, já serviram para hospedar artistas famosos, como o cantor Roberto Carlos, e o ex-presidente da República, Café Filho, hoje estão ocupados por hóspedes bem menos ilustres: ratos, pombos e morcegos.
A reportagem entrou em contato com o setor de Vigilância Sanitária da administração municipal. O órgão informou que as fiscalizações no local estão a cargo da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). O gerente dos fiscais da Sema, Luiz Campanhã Filho, informou que notificou os proprietários na última vistoria no prédio, em julho do ano passado, porém o liquidante entrou com recursos alegando dificuldades para fazer a limpeza e os reparos necessários, uma vez que o prédio está em sob responsabilidade da Justiça.
No início do mês, a Procuradoria Jurídica do Município encaminhou outra notificação para que os responsáveis apresentem um cronograma de trabalhos da limpeza e reparos. Segundo Campanhã Filho, o liquidante tem até a próxima quarta-feira para apresentar a documentação. "O fato de o prédio estar em disputa judicial não exime os donos das responsabilidades de manter o imóvel em ordem. A limpeza e a vedação para impedir a entrada das aves é uma necessidade emergencial", apontou.
O escrevente de cartório, Gilberto Lopes Barbosa, conta que o movimento do comércio não lembra nem de longe a efervescência de antes. "Trabalho aqui faz 41 anos e dá pena de ver o que este hotel se tornou. Dá até medo de contrair doenças pela sujeira que está", reclamou. Outro que se lembra dos tempos áureos do Hotel Sahão, que começou a funcionar com o nome de Hotel São Jorge, é o taxista Anésio Anderlin, de 63 anos. "Antes a gente fazia corrida toda hora, agora quando passa das 21 horas, as pessoas evitam passar aqui", lamentou.
A reportagem tentou contato com o liquidante do imóvel, o advogado Nelson de Souza Galvan. Como não consta telefone no cadastro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a reportagem foi até o endereço indicado, em uma casa no Parque do Lago (zona sul), mas a casa estava fechada e ninguém atendeu. A reportagem também tentou contato com o promotor de Saúde e de Arquitetura e Urbanismo, Paulo Tavares, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.
Confira o vídeo:


