Tamarana - De longe, é difícil imaginar que um imóvel de esquina, ainda sem pintura nas paredes, piso na calçada e vidros nas janelas seja o salão comunitário da Vila Siena, na área rural de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina). A construção ocupa um terreno da Prefeitura e é o único espaço que os moradores têm na vizinhança para fazer reuniões e velórios. Desde que o fornecimento de água foi cortado no imóvel há mais de um ano, a comunidade tem tido uma tarefa a mais quando precisa velar entes queridos. É preciso puxar água de residências ao redor para dar contar de usar o salão e banheiros do local.
A situação já foi levada à Prefeitura, que alega não ter responsabilidade sobre o salão comunitário e não ter tido participação na interrupção do abastecimento. Até um requerimento pedindo providências ao Executivo, para a ligação da água junto à Sanepar, foi apresentado na Câmara. "Faz uns dois anos que a água foi cortada, sendo que a taxa para pagamento era mínima", relatou o autor do requerimento, o vereador Sérgio Nakata.
Segundo ele, a Prefeitura teria respondido que iria tomar providências sobre a situação. Quatro meses se passaram e o salão comunitário segue sem abastecimento de água. Para Nakata, a solução do problema passa por uma questão de bom-senso. A comunidade teria que reativar uma associação de moradores, mas precisaria do apoio do poder público para levar o projeto adiante."É complicado porque as pessoas já estão fragilizadas pela perda de alguém quando têm esse problema. Os moradores não conseguem resolver por conta, precisam da ajuda da Prefeitura", observou.

MUTIRÃO

"Temos que emprestar água dos vizinhos para lavar o salão, com uma mangueira, e até para poder usar o banheiro. Fica uma situação ruim, passamos vergonha", comentou a dona de casa Gerli de Oliveira Camargo. Ela usou o espaço na última terça-feira para velar o irmão, Demilson Mariano. "Nos últimos dez meses, foram três velórios nesse salão só da minha família. É um lugar muito usado, não pode ficar sem água", pontuou mais uma irmã de Demilson, Valquíria Mariano, 25.
Procurado pela reportagem, o prefeito de Tamarana, Paulino de Souza, afirmou que a administração municipal oferece estrutura adequada para velórios na capela mortuária da cidade, localizada no centro, e que o salão não foi projetado para este fim. "Não entendo porque as pessoas preferem fazer os velórios naquele lugar. Na capela municipal não há custo nenhum", reforçou.
Ele também considerou inviável a Prefeitura se responsabilizar pela ligação de água do salão comunitário, uma vez que se trata de um imóvel que ficava sob os cuidados de uma associação comunitária. "Não existe caminho legal para isso", enfatizou.
Ainda conforme Souza, apesar de o terreno pertencer à Prefeitura, a construção, assim como outras residências ao redor, seria resultado de uma ocupação.
A Sanepar informou que segue aberta à negociação com a comunidade da Vila Siena e que precisa que o interesse para a retomada do abastecimento no imóvel seja formalizado, com apresentação de pessoa jurídica ou física que se responsabilize pelo pagamento da água a ser fornecida.

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