Londrina - Despedaçado por uma locomotiva limpa-trilhos na quinta-feira passada, dia 21, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), um homem aparentando 40 anos, com sol tatuado no braço esquerdo (que até poderia ajudar no seu reconhecimento), é o mais recente cadáver sem identificação, abandonado no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina.
Desde janeiro até o início de agosto, 18 corpos já foram deixados no necrotério. Do total, três eram mulheres. Alguns chegam a ser identificados, mas acabam ignorados por familiares e permanecem ocupando as gavetas do IML até 30 dias. Existem também os que sequer são identificados, os chamados "indigentes".
Atualmente, no necrotério do IML de Londrina há três corpos aguardando identificação. O que permaneceu por mais tempo no IML foi Antônio Edilson Alves, de 35 anos. Ele foi executado em Florestópolis, no final de junho. Alves é natural de São Bernardo, cidade do Maranhão, e apesar de já ter sido identificado, nenhum familiar veio buscá-lo. Por isso, faz parte do grupo dos "corpos não reclamados".
"Essas pessoas acabam ficando aí porque seus parentes, muitas vezes, não têm condições de bancar as despesas funerárias", comenta a chefe administrativa do IML, Cristiane Ferreira de Souza.
Para estes casos, a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) disponibiliza o auxílio-funeral. Ele permite que famílias carentes tenham direito a urna funerária, flores, velas e local para velório, além de serviços auxiliares para o sepultamento.
Com relação aos corpos não identificados, a chefe do IML explica que, caso ninguém apareça, são enterrados como indigentes. Cristiane comenta o perfil desse grupo. "Na maioria das vezes é andarilho, pessoa que vivia na rua e que, geralmente, tem mais de 35 anos de idade."
Tanto os corpos não reclamados quanto os de indigentes têm o mesmo destino: uma vala no cemitério do Distrito de Maravilha, na zona sul, a 26 km de Londrina. No terreno existe um pequeno espaço nos fundos, onde estes corpos são enterrados. Não há lápides, túmulos e quase não se pode vê-los. Por isso, o espaço passou a ser conhecido como a "ala dos esquecidos".

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