Falta de voz, rouquidão, pigarro e laringite. Esses são alguns dos problemas que podem afetar a voz das pessoas, sobretudo daquelas que precisam dela como instrumento de trabalho. Uma das profissões é a de professor. Uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina, o Pró-mestre, em parceria com outras instituições como a Unopar, tem como foco o professor da rede estadual. O objetivo é traçar um perfil desse profissional e identificar os principais problemas que acometem aqueles que precisam falar o tempo todo com seus alunos. Fonoaudiólogos profissionais e estagiários da área têm auxiliado na realização de exames, na orientação dos cuidados com as cordas vocais e no encaminhamento a profissionais de casos mais graves.
Na pesquisa anterior realizada pelo grupo com cerca de mil professores, entre os meses de agosto de 2012 e junho de 2013, apenas 14,8% declararam que nunca têm esse tipo de problema. Outros 33,1% afirmaram que sofrem às vezes de problemas de voz e 26,4% garantiram que raramente passam por isso. Foi constatada ainda que a ocorrência de problemas com a voz acontece sempre ou frequentemente em 1 em cada 4 professores entrevistados.
A professora de História Valdirene Nazarku, que leciona no Colégio Estadual Vicente Rijo, conta que já ficou afônica em sala de aula. "Quando isso aconteceu, eu pedi licença aos alunos e disse à direção que não tinha condições de dar aulas. Fui ao médico e ele disse que uma das prováveis causas era a inalação de pó de giz, já que os exames constataram que eu não possuía calos nas cordas vocais", declara.
Uma das professoras que foi submetida aos exames de fonoaudiologia do programa Pró-mestre no Vicente Rijo foi a professora de Artes Camila Fujita Abrahão, diagnosticada com um início de calo nas cordas vocais. "Os exames indicaram para que eu fizesse uma consulta específica, mas eu ainda não fiz por descuido e falta de tempo. Mesmo tendo cantado em uma banda, eu não aprendi a respirar corretamente e não aprendi a tirar a voz de onde deveria", admite.
Camila ressalta que não existe uma orientação sobre como se colocar de forma clara e coesa em uma sala de aula 35 alunos sem forçar a voz. "Eu tenho de aumentar o tom de voz não só pela conversa dos alunos em sala de aula, mas pelo barulho surdo dos corredores e dos pátios", relata, afirmando que essa situação contribui também para o estresse.
A docente também atribui a rotina da profissão como fator contribuinte para desencadear os problemas de voz. "Eu saio do colégio às 22h40 e tenho de entrar às 7h30 do dia seguinte. Faço hora atividade e esse atropelo todo sobrecarrega a gente. Não tenho tempo de aquecer as cordas vocais como deveria."

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